Armindo Veloso




COMPAIXÕES

Uma senhora foi condenada a três anos de prisão efectiva por um colectivo de juízes, em Lisboa, por ter atropelado mortalmente duas pessoas e ferindo gravemente uma terceira numa passadeira no Terreiro do Paço.
São este tipo de notícias que nos vão animando.
A senhora, apesar de ter contratado um advogado competente – sabemos que há uma justiça para ricos e outra para pobres, a começar pelo poder económico que se tem para contratar um advogado – não teve hipóteses.
Embora não tenha transitado em julgado uma vez que a defesa recorreu, duvido que perante o acórdão em causa haja alteração da pena.
No final do acórdão dizia-se que a senhora em questão não mostrou, durante o julgamento, a mínima atitude de compaixão pelas vítimas e pelos seus familiares.
A defesa alegou que a justiça não se pode reger por exemplos. Entendo. O que é certo é que se a justiça não se deve reger por exemplos ela também tem implicitamente um importantíssimo efeito pedagógico na sociedade. Sem bodes expiatórios, claro.
No caso em apreço, tem de haver mão pesada para quem não tem o mínimo cuidado com a bomba-relógio que tem em mãos que é o carro.
A negligência grosseira, muitas das vezes transformada em homicídios involuntários, deve ser penalizada exemplarmente.
Sendo certo que a maioria de nós já cometeu as suas falhas na condução, temos, de uma vez por todas, meter na cabeça a responsabilidade acrescida que investimos ao sentar-nos ao volante.
A defesa alegou que a senhora circulava a cinquenta quilómetros por hora. Os médicos peritos em medicina legal, perante os exames aos cadáveres e seu desmembramento(!) garantiram que a viatura circularia entre os 110 e os 120 quilómetros/hora. Recorde-se: no Terreiro do Paço!
Tenha paciência, minha senhora, eu também não tenho compaixão por si. Três anos de cadeia não são nada comparados com os danos que provocou.

Até um dia destes.

CASTELO

Solidariedade


Os povoenses têm sido generosos quando são chamados a contribuir para as causas sociais do concelho. Em Taíde, as suas gentes têm unido esforços na realização de actividades com vista à angariação de verbas para o projecto que está a ser desenvolvido pelo centro social daquela freguesia. O arraial minhoto e o cantar de reis foram duas das iniciativas desenvolvidas pelas gentes daquela freguesia. Sexta-feira, pelas 20h30, é a vez do Agrupamento de Escolas do Ave dar o seu contributo, com a realização do Sarau Solidário. Este ano, as verbas revertem a favor do Centro Social de Taíde mas, nos próximos anos irão ser canalizadas para outras instituições de solidariedade social do concelho.


CASTELO DE AREIA
Violência

Duas grandes equipas em campo: Maria da Fonte e Vermoim. Bancadas repletas de público. Estavam reunidos os ingredientes para uma tarde de festa e de hino ao futsal feminino. Contudo, não foi isso que aconteceu. Segundo relatos de pessoas no local, familiares das atletas do SC Maria da Fonte foram agredidos na bancada do Pavilhão Municipal de Vermoim. Tal situação afectou e destabilizou as atletas em campo que viram os seus familiares envoltos na confusão. Cenas lamentáveis que em nada dignificam o desporto...

Centro de investigação de criança em risco no ISAVE
No dia em que celebrou o seu oitavo aniversário, o Instituto Superior de Saúde do Alto Ave (ISAVE), sito na Póvoa de Lanhoso, apresentou um novo projecto, que assenta na criação de um Centro de Investigação sobre a área da Criança em Risco.
O anúncio foi feito segunda-feira, durante as cerimónias oficiais que assinalaram a data, durante as quais foi referido, ainda, que o novo centro de investigação deve entrar em funcionamento ainda durante este ano lectivo.
“Somos hoje um grupo de instituições de ensino sob a tutela de uma organização de cariz fundacional,a Fundação Padre António Vieira. Imaginamos o futuro quando nos tornamos uma fundação e concretizamos o presente quando num dia como hoje lhes apresentamos o Centro de Investigação do Isave”, avançou José Henriques, presidente do ISAVE, no seu discurso.
O projecto do novo centro de investigação terá como parceiro estratégico o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.
Segundo explicou Virgílio Alves, professor de Bioestatística no instituto, este Centro de Investigação sobre a Criança em Risco “irá servir para trabalhar exlusivamente em investigação científica, com base nas áreas de psicologia e sociologia e irá, mais concretamente, recolher informação para análise, apresentando depois as conclusões desses estudos”...

Frederico Castro, deputado na Assembleia da República


“Os deputados deveriam estar mais presentes no seu círculo eleitoral”
A Póvoa de Lanhoso conta, desde Outubro de 2009, com um representante na Assembleia da República. Depois de coordenar a Juventude Socialista, Frederico Castro partiu para um novo desafio, integrando as listas à Assembleia da República, pelo distrito de Braga.

Maria da Fonte - Como está a ser esta nova experiência como deputado da Assembleia de República?
Frederico Castro - Tem sido extremamente interessante e estimulante a oportunidade de estar na Assembleia da República e participar dos momentos de reflexão e decisão tanto no seio do nosso grupo parlamentar como nos debates no hemiciclo, poder sentir que as coisas acontecem por intervenção directa da nossa acção significa intervir no eixo central do funcionamento da nossa democracia, e não há nada mais gratificante para alguém que está na política do que sentir que é útil e que a sua acção serve para mudar para melhor a vida das pessoas. Mas é também acima de tudo, uma responsabilidade muito grande, uma missão para a qual estou profundamente motivado e decidido a dar o meu melhor. É para isso que trabalho todos os dias e é nisso que concentro a minha intervenção e atenção.

MF - Qual o trabalho desempenhado por um deputado na AR?
FC - Um deputado tem desde logo um papel muito activo nas comissões parlamentares em que está directamente envolvido, no meu caso a Comissão de Ambiente, Ordenamento de Território e Poder Local, e a Comissão de Educação. Grande parte dos assuntos debatidos no hemiciclo são pré-abordados nas comissões, o nosso trabalho nas comissões parlamentares ajuda-nos a estarmos melhor preparados para o debate parlamentar, mas também as petições que dão frequentemente entrada nas Comissões são alvo de análises, audições e relatórios. Por exemplo, neste momento sou relator de um assunto relacionado com a intenção de habitantes de duas freguesias de Barcelos, Vila Seca e Milhazes, quererem pedir a suspensão da exploração de caulino nas suas freguesias, tendo apresentado uma petição na AR para ser analisada pela Comissão. Neste tipo de casos cabe-nos ouvir os autores da petição, visitar o local se possível, neste caso já lá fui três vezes, e por fim apresentar um rela-tório final. Mas também temos reuniões de trabalho no seio do grupo parlamentar no sentido de analisar os debates nos quais vamos estar envolvidos em cada semana e tomarmos decisões no que diz respeito tanto à nossa agenda no que toca à iniciativa legislativa, como a tomada de posição do nosso Grupo Parlamentar no que diz respeito às iniciativas legislativas dos outros grupos parlamentares. Depois existe um conjunto de tarefas no dia-a-dia, em relação às quais os deputados podem ser mais ou menos interventivos. Enviar requerimentos ou colocar questões de forma escrita, tanto ao governo como a qualquer entidade, como aconteceu recentemente num caso relacionado com a freguesia de S. Martinho de Campo, em que questionei as ‘Águas do Ave’ no que toca à sua intenção em cumprir um acordo estabelecido com aquela junta de freguesia há alguns anos, relativamente à construção da nova travessia sobre o Rio Ave, compromisso assumido pelas ‘Águas do Ave’ como contrapartida à instalação de uma ETAR por parte desta empresa naquela freguesia do nosso concelho...

“Os políticos não são todos iguais”
MF - Já foi solicitada a sua ajuda pelos povoenses?
FC - Algumas juntas de freguesia já solicitaram apoio na resolução de determinadas questões, mas também instituições como associações e IPSS´s. Contactam-me no sentido de esclarecer dúvidas relativamente a documentos e até ajuda na resolução de pequenos processos que são importantes para o seu dia-a-dia. Preocupo-me especialmente neste momento com o eventual fecho do SAP da Póvoa aos fins-de-semana. Tenho estabelecido contactos no sentido de perceber qual é a posição da ARS-Norte e o que podemos perspectivar, para os habitantes. Importa garantir que as necessidades das pessoas ficam salvaguardadas, seja através de um serviço da natureza do que actualmente é prestado, base-ado no protocolo existente com a Santa Casa da Misericórdia, seja através das USF’s que podem ter vários modelos alternativos mediante as necessidades de determinada localidade. Tenho tentado ajudar à resolução do problema, embora não tenha sido solicitada a minha intervenção por parte da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, porque o que está realmente em causa são os interesses dos habitantes do nosso concelho, e não a renovação de um protocolo com esta ou aquela instituição.

MF - Foi um dos mentores da proposta de alteração do Programa Porta 65 Jovem, de apoio aos jovens arrendatários...
FC - Acho-o muito importante para os jovens casais, principalmente num concelho como a Póvoa de Lanhoso e num distrito como Braga onde a percentagem de habitantes jovens é das mais elevadas do país. As alterações introduzidas permitem que o universo de jovens beneficiários possa ser maior no que respeita às possibilidades de candidatura e ao consequente acesso ao programa, prevendo-se o aumento do apoio mensal atribuído, em função de critérios sociais e espaciais e possibilitando a mobilidade dos jovens beneficiários. Permite que os jovens possam beneficiar do apoio ao arrendamento mais cedo, no momento em que iniciam a sua vida profissional. Passa a ser possível apresentar candidaturas ao Programa Porta 65 durante o primeiro ano de trabalho. Até agora, exigia-se que os jovens declarassem os seus rendimentos relativos ao ano anterior ao da candidatura, estando assim impedidos de beneficiar do Programa os que não trabalhassem há, pelo menos, um ano. Com esta nova possibilidade, os jovens que ainda não tenham declarado os seus rendimentos por estarem a iniciar a sua vida profissional, podem beneficiar. Deixa também de ser necessário apresentar um contrato de arrendamento para se poder realizar as candidaturas, bastando apenas um contrato-promessa de arrendamento. Esta medida permite que mais jovens se possam candidatar, e que o arrendamento se inicie apenas quando o jovem sabe que vai beneficiar do Programa. Estes são só alguns exemplos da evolução que sofreu este programa sendo estas propostas que vão claramente no sentido da promoção de uma maior independência, emancipação e autonomia dos jovens do nosso país. Ouvi muitos queixarem-se a este respeito nos últimos anos, por isso decidi que esta seria a minha primeira iniciativa legislativa enquanto deputado, que foi concertada com os restantes jovens deputados do GPPS e acompanhada com sucesso pela restante bancada parlamentar e por outros grupos parlamentares...
Deco coloca Braval no topo
da recolha selectiva

Um estudo da Deco sobre a gestão de resíduos urbanos, através do qual se avaliou a satisfação dos cidadãos relativamente ao desempenho dos seus municípios, classificou o concelho de Braga em 7º lugar, o que coloca a Braval, empresa responsável por este tipo de recolha, no topo do panorama nacional”, revela a Braval em comunicado.
De acordo com a Braval, para realizar este estudo, a Deco Pró-Teste inquiriu 5031 cidadãos de 69 concelhos, que incluem todas as capitais de distrito e os concelhos com mais de 50.000 habitantes, o que representa cerca de 70% da população portuguesa.
“Uma das conclusões do estudo é a insatisfação com a recolha de óleos alimentares usados para reciclagem, uma vez que nalguns concelhos esta não existe e em apenas um quarto dos concelhos abrange toda a população. Aqui o concelho de Braga, mais precisamente a Braval merece lugar de destaque, pois implementou em 2008, o projecto Óleo +, para a valorização dos óleos e sua transformação em biodiesel. Para o efeito disponibiliza contentores a grandes produtores e particulares e efectua recolha porta-a-porta mediante marcação, abrangendo, portanto, toda a população”, refere a Braval...

Luís Carlos Correia, coordenador da Unidade de Saúde Familiar


Cada um dos oito médicos
tem em média 1750 doentes

A Póvoa de Lanhoso conta, desde o início do ano, com uma Unidade de Saúde Familiar, localizada nas instalações do Centro de Saúde. Composta por oito clínicos, esta nova unidade pretende melhorar as condições de acesso às consultas por parte dos 14 mil doentes que a integram, evitando as longas esperas que até então se verificavam. Ao invés de um mês de espera, como por vezes acontecia, a entrada em funcionamento da USF permite que no próprio dia, ou nos dias seguintes, os utentes possam obter uma consulta com o seu médico de família.
O “Maria da Fonte” conservou com Luís Carlos Correia, coordenador da USF, que nos traçou um balanço e deu a conhecer os objectivos da equipa que integra aquela unidade.

Maria da Fonte – O que é uma Unidade de Saúde Familiar?
Dr. Luís Carlos – Basicamente, uma Unidade de Saúde Familiar (USF) é uma prestadora de serviços, na área da medicina geral e familiar, um pouco dentro do espírito dos centros de saúde, com um atendimento que se pretende mais personalizado e um tratamento mais rápido, no sentido de um menor tempo de espera para consultas e de um tipo de prestação de serviços de melhor qualidade e mais efectivo. A USF Terras de Lanhoso entrou em funcionamento no dia 4 de Janeiro, mas com um trabalho mais efectivo a partir do dia 11 daquele mês.

MF – Pelo que constatamos, funciona no edifício do centro de saúde mas é uma unidade autónoma. Os doentes transitaram todos do Centro de Saúde para a USF?
LC – A grosso modo, transitaram para a USF os doentes dos médicos que compuseram a Unidade de Saúde Familiar. É criação da unidade foi rápida, no sentido de concurso e de aprovação de concurso. Uma das coisas que facilitou e acelerou o processo foi o facto de todos os médicos e profissionais que compõem a USF já trabalharem no Centro de Saúde. Normalmente, estes processos de criação de USF tornam-se morosos quando obrigam à transferência de médicos de outros centros de saúde, por-que os mesmos só podem sair quando forem substituídos. No nosso caso não aconteceu isso, porque todos nós já pertencíamos ao centro de saúde da Póvoa de Lanhoso. Em termos de médicos, os clínicos que compõem a USF “arrastaram” os utentes que já faziam parte das suas listas.

MF – Em termos de pessoal, quantas pessoas integram esta unidade?
LC – Da USF fazem parte oito médicos, oito enfermeiros e seis secretários clínicos para um universo de 14 mil doentes, o que dá uma média de 1750 doentes por médico...

“Os utentes podem conseguir
consulta no próprio dia”

MF – Já há resultados visíveis?
LC – Os utentes podem conseguir consulta no próprio dia. Caso não o consigam, podem conseguir consulta em termos de uma grande proximidade ao dia que pretendem. No entanto, há sempre uma resposta, agendando a consulta para os dias muitos próximos. No caso de pretenderam renovar a medicação, podem deixar o pedido ao secretário clínico e, dias depois, passar pela unidade para levantar a respectiva receita. A marcação de consultas por telefone, é a nossa grande aposta. A partilha de informações e de opiniões é constante.
A equipa de trabalho está muito interligada. Outra das coisas que faz a diferença é que, contrariamente ao que se passava antes, se tiver uma consulta agendada e ao chegar à unidade tiver a informação que o médico, por um motivo de força maior, não pode vir, não vai embora sem consulta.
O grupo irá dar uma resposta e um dos clínicos irá atender o utente que tinha a consulta marcada para aquele dia, a não ser que o utente não queira e pretenda ser atendido pelo seu médico de família. Nesse caso, é agendada uma consulta para os dias seguintes. O utente não vai sem resposta...