Um investimento entre 300 e 350 mil euros

Câmara disposta a requalificar 
Escola Gonçalo Sampaio

Manuel Baptista, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, afirmou que a câmara está disposta a investir entre 300 a 350 mil euros na requalificação da Escola EB 2,3 prof. Gonçalo Sampaio, na vila da Póvoa de Lanhoso.
Esta afirmação surgiu no decurso da visita àquele estabelecimento de ensino. Manuel Baptista e Gabriela Fonseca, vereadora da Educação da autarquia povoense, inteirarem-se, no terreno, das suas principais necessidades, com vista a uma possível requalificação. A visita foi conduzida pela directora do Agrupamento de Escolas, Luísa Rodrigues, e pelo subdirector, Júlio Gonçalves. A intervenção naquele estabelecimento de ensino é uma prioridade para a autarquia.
Segundo revelou o autarca povoense, como resultado de um trabalho conjunto da Autarquia com a DGEstE e com a CCDR-N, traduzido no mapeamento das prioridades de investimento, foram inscritos dois milhões e 500 mil euros no novo quadro comunitário para a realização desta requalificação.
“A responsabilidade de intervenção nesta escola tem a ver com o Ministério da Educação, mas estamos a negociar com a CCDR, pois, se a componente financeira que cabe ao Estado for posta pelos Municípios, a intervenção será mais rápida”, salientou Manuel Baptista, que pretende conseguir em breve autorização para fazer o levantamento das necessidades e perceber o que é que os valores em cima da mesa permitem realizar naquela escola. “Sabemos as necessidades e os problemas que a escola tem e queremos resolvê-los. Ainda não temos é ordem do Ministério da Educação para a intervenção, para avançar com um projecto e para fazer as formalidades para come-çarmos a fazer estas intervenções”, afirmou.

Acabar mandato com parque escolar concluído
 Após a construção de três Centros Escolares, nos últimos anos, esta será a principal intervenção em termos de melhorias de infra-estruturas físicas e, para Manuel Baptista, o prazo para a sua conclusão, é 2017. “Eu gostaria de acabar o meu mandato com esta requalificação feita. Organizado que está o 1.º ciclo, esta é a escola que piores condições tem no concelho. Quero acabar o meu mandato com o parque escolar concluído”, assegurou Manuel Baptista. “Costumo dizer que, em primeiro lugar, estão as pessoas e, neste caso, a Câmara Municipal põe em pri-meiro lugar os alunos e quem cá trabalha”, concluiu o au-tarca.
 
Directora satisfeita com as “boas notícias”

Luísa Rodrigues, directora do Agrupamento mostrou-se satisfeita pelas “boas notícias”, considerando que “chegou a altura de ser feita justiça à Gonçalo Sampaio”, uma escola que faz este ano 45 anos, 31 nas instalações actuais. “Temos andado a adiar, adiar, de Governo para Governo. Não tem a ver com qualquer cor política, pois com a Gonçalo Sampaio já falharam todos. Neste momento, só mesmo o bairrismo é que poderá salvar-nos, porque precisamos de alguém que agarre a possibilidade e que diga que também está disponível e que vamos avançar, porque esta escola já merece até pelo grande esforço que é feito para que as instalações não estejam degradadas como já estariam, se não fosse o investimento que nós fazemos de todo o bocadinho que conseguimos arrecadar. É tudo canalizado para as instalações, porque as crianças merecem condições com dignidade. Não quero dizer que não têm dignidade, mas não estão é ajustadas às exigências da qualidade do ensino actual”, referiu Luísa Rodrigues. “Está na hora de se unirem esforços e de fazer alguma coisa pela Escola Gonçalo Sampaio por onde a esmagadora maioria dos povoenses passou”, finalizou Luísa Rodrigues.

Projecto com duração para três anos e um financiamento de 400 mil euros

‘Geração Lanhoso’ para
o desenvolvimento social


A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e a Sol do Ave - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Vale do Ave  apresentaram, ontem, o ‘Geração Lanhoso’, o Contrato Local de Desenvolvimento Social da Póvoa de Lanhoso, com duração de 3 anos e um financiamento de 400 mil euros.
Promover a inclusão social dos cidadãos da Póvoa de Lanhoso, com recurso a uma abordagem multissectorial e integrada, através de acções em rede, por forma a combater a pobreza persistente e a exclusão social é o objectivo geral do ‘Geração Lanhoso’. Com três eixos de intervenção, irá abordar questões como: emprego, formação e qualificação; intervenção familiar e parental, preventiva e pobreza infantil; e capacitação da comunidade e das instituições.
Capacitar pessoas desempregadas em situação de vulnerabilidade social para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais; aplicação de medidas activas de emprego existentes; incentivar para a criação do auto-emprego e para o empreendedorismo; promover iniciativas de empreendedorismo social e inclusivo; dinamizar um programa local de produção, promoção e comercialização de produtos hortícolas; implementar um programa de intervenção sociofamiliar integrado; capacitar associações juvenis e promover o trabalho em rede são alguns dos objectivos específicos do CLDS da Póvoa de Lanhoso.
Destacando desafio bastante grande, Mafalda Cabral, da Sol do Ave, salientou que é o retomar um trabalho feito no passado mas que agora tem outro nível de exigência e outro nível de desafios, uma vez que há metas importantes a cumprir para o desenvolvimento social do concelho.
Marta Coutada, da Sol do Ave, destacou que o projecto ‘Geração Lanhoso’ resulta, por um lado, daqueles que eram e são os problemas identificados no diagnóstico social concelhio e das orientações estratégicas do Plano de Desenvolvimento Social da Póvoa de Lanhoso. Por outro lado, resulta também dos recur- sos existentes no concelho e na melhor forma de os articular e de os potenciar”.
“O trabalho que desenvolvemos no passado e as parcerias que fizemos deram a confiança necessária para que, mais uma vez, a Segurança Social confiasse em nós, aprovando mais uma candidatura”, revelou Gabriela Fonseca, vice-presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, dando conta da grande satisfação pela apresentação de mais um Contrato Local de Desenvolvimento Social. Deixando uma palavra aos parceiros da Rede Social, a vice-presidente da Câmara salientou que “este projecto só terá sucesso se ele for executado com o envolvimento de todos”.

Um verdadeiro sucesso

Jantar-convívio da família 
portodavense na Suíça

No passado dia 13 de Novembro, realizou-se no restaurante ‘Fabiana’ o II Jantar-convívio da família portodavense na Suíça, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel José Baptista, como o presidente do clube, Artur Maia (Tuxa), com vários ex-treinadores, ex-jogadores, com gente da terra e simpatizantes, num total de cerca de 75 pessoas. Reunir a família portodavense foi o objectivo do jantar, que permitiu, também, reunir donativos para apoiar o clube, que milita na Divisão de Honra da AF Braga. Foram momentos de grande convívio, reviram-se amigos e momentos vividos no clube do coração, o Porto d’Ave.

Artur Maia: “um trabalho espectacular”

Como surgiu a ideia deste jantar?
A ideia do jantar surgiu da organização que temos aqui, que tem feito um trabalho espectacular, que nos tem ajudado muito e nós precisamos da ajuda de todos.

O que acha destes jantares da família do GDPA?
Isto é uma jantar da grande família e é perfeito. Vemos aqui muita gente que já não víamos há muito. Como presidente, fico muito contente por chegar aqui e ver uma grande família, com força e união. Vim cá sem saber o que ia encontrar e entrei no restaurante e vi tanta gente conhecida, que fiquei sem palavras.

Que balanco faz destes jantares?
O balanço é extramente positivo pelo convívio com esta excelente família e também noutros aspectos pois estamos a tentar arranjar donativos para fazer face às despesas diárias do clube, pois temos mais de 180 atletas inscritos na AF de Braga,  desde Traquinas até Seniores e também com o futsal feminino. Todas as iniciativas são importantes.

Que mensagem deixa a toda família portodavense?
Tenho muito carinho por todos os adeptos do GDPA. Antes de ser presidente joguei muitos anos com esta camisola ao peito. Estou ligado ao clube desde dos meus 15 anos. Neste momento tenho 44 anos. Estou ligado há 29 anos, joguei 17 anos e há 12 anos que estou  na direcção e agora como presidente. Quando decidi ser presidente todos me apoiaram e me deram todo o apoio. Estou muito motivado para trabalhar com o apoio dos portodavenses que nos ajudem.

Momento de convívio em terras helvéticas

Brunhais organizou torneio

Decorreu mais um torneio, no dia 15 de Novembro, da freguesia de Brunhais em terras helvéticas, mais precisamente em Zurich, no pavilhão de Schlieren, como já se tornou habitual realizar. De entre as várias presenças, destaca-se a do presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel José Baptista, o presidente da União de Freguesias de Esperança e Brunhais, António Marques, juntamente com o tesoureiro, Vasco Fernandes, e a secretária, Cátia Silva, também do presidente da A. C. R. D. de Brunhais, Eduardo Barros, e mais cerca de oito centenas de pessoas naturais do concelho.
Foi um torneio onde houve muita magia, defesas e golos, com vinte equipas a lutar pelo 1.º lugar, com prémios para todos os participantes, aos quais se junta o prémio disciplina, melhor ataque, melhor defesa e melhor guarda-redes.
Um dos jogos especiais do dia foi o jogo feminino entre Brunhais e Oliveira. Fora das quatro linhas houve muito convívio e comida tradicional portuguesa. De realçar que os fundos conseguidos nesta iniciativa revertem para a realização da festa de São Paio em Brunhais do próximo ano, numa comissão de festa maioritariamente constituída por senhoras.

U.F. de Fontarcada e Oliveira

Escola transformada 
em Centro de Convívio


Criado em 2012, o Centro de Convívio de Fontarcada e Oliveira funciona, a partir de agora, em novas instalações, no edifício da Escola EB1 de Arrifana, em Fontarcada. Depois de acolher  os netos, que ali aprenderam a ler e a escrever, a Escola de Arrifana recebe agora os avós, que ali passam momentos de grande convívio e aprendizagem. Aumentar o número de utentes do Centro de Convívio, actualmente cerca de vinte, é um dos objectivos.
Depois da bênção do espaço, pelo padre Salvador Mota, e do descerrar da placa comemorativa, seguiram-se os discursos, com o presidente da União de Freguesias de Fontarcada e Oliveira, António Pereira, a dar conta do orgulho e satisfação pela inauguração das novas instalações do Centro de Convívio.
“Não há nada mais importante e que nos dê mais satisfação do que trabalhar em prol de todos vocês. Este é e será sempre o nosso único e principal objectivo”, referiu António Pereira, agradecendo ao presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Manuel Baptista, “o empenho, dedicação e contributo para a realização e para tornar real esta obra”.
“Desde as crianças aos mais velhos, temos feito um trabalho notável nestes dez anos”, referiu Manuel Baptista, presidente da Câmara Municipal, fazendo votos de “quem nos governe, daqui a uns anos, tenha esta sensibilidade e este carinho que estamos a ter com vocês”.
“É nosso dever como autarcas dar-vos este miminho”, disse o autarca, revelando que é obrigação da autarquia estar ao lado das pessoas.
Actualmente, são seis os centros de convívio em funcionamento no concelho da Póvoa de Lanhoso: Centro de Convívio da União de Freguesias de Esperança e Brunhais; Centro de Convívio de Vilela; Centro de Convívio de Friande e São João de Rei; Centro de Convívio da Póvoa de Lanhoso; Centro de Convívio de Rendufinho; e Centro de Convívio de Fontarcada e Oliveira. No início do ano, outros dois juntam-se aos seis já existentes, que acolhem cerca de duas centenas de utentes.

Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada

Despiste e atropelamento
para sensibilizar condutores


Um despiste com capotamento e o atropelamento de um ciclista foram os cenários criados pelo Destacamento Territorial da GNR da Póvoa de Lanhoso, em parceria com os Bombeiros Voluntários e a Câmara Municipal, para assinalar o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, na tarde de ontem, na Estrada Nacional 103, em plena Serra do Carvalho. O cenário foi montado num parque de merendas localizado naquela via, com o trânsito a ser desviado pelos militares da secção de trânsito da GNR. A campanha especial de prevenção rodoviária decorreu entre as 15h30 e as 16h30, com os condutores a receber folhetos alusivos à segurança rodoviária.
“Esta é uma acção de sensibilização que visa despertar quer os condutores das viaturas ligeiras, quer os condutores dos velocípedes, tendo em conta os cenários que temos aqui expostos, para a boa prática à frente do volante, como noutro tipo de viatura em que circulem”, revelou o Alferes Pinto, adjunto do comando do DTER da GNR da Póvoa de Lanhoso.
Carlos Rodrigues, da Póvoa de Lanhoso, foi um dos condutores que passou pelo cenário de acidente. “É preciso controlo e juízo. Não é preciso ter cuidado só connosco mas também com os outros. Aconteceu-me, há pouco tempo, ir sossegado na minha faixa e vir outra viatura e embater-me”, revelou este condutor.
José Sousa, sub-chefe dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, revelou que a colocação dos “pinos separadores” na Estrada Nacional 103, no espaço entre a Povoa de Lanhoso e Braga, na Serra do Carvalho, teve um efeito dissuasor, registando-se menos acidentes naquela via. 
Presente na campanha de sensibilização, Armando Fernandes, responsável pelo pelouro da Protecção Civil da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, alertou para a necessidade de intervenção em dois “pontos negros” no concelho da Póvoa de Lanhoso, localizados nas freguesias de Serzedelo e S. Martinho do Campo.
Armando Fernandes deixou o alerta às entidades responsáveis, nomeadamente à IP (Infraestruturas de Portugal), para “tomarem medidas no sentido de reduzirem a sinistralidade nessa área (Serzedelo) e também em S. Martinho do Campo, na Estrada Nacional, numa recta muito propícia à velocidade, onde, de vez em quando, há alguns sinistros”. Para além da sinalética relacionada com a prevenção rodoviária, Armando Fernandes deixou como sugestão, principalmente em S. Martinho do Campo, com a colocação de separadores.

30 anos de carreira

Amélia Fernandes homenageada

Os 30 anos de vida literária de Amélia Fernandes ficaram marcados, no dia 20 de Novembro, pela apresentação da mais recente obra, “A Essência das Palavras”, e pela homenagem da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso. No mesmo momento, a Casa da Botica contou com uma exposição de um conjunto de pinturas da artista.  No final da cerimónia, Amélia Fernandes foi presenteada com uma escultura, obra da povoense Fernanda Barros. No final da apresentação, seguiu-se um Chá Literário, na Biblioteca Municipal, integrando pequenos trechos musicais e a declamação de poemas da autora.

Uma família de Valdemil

Uma viagem às raízes
do terrorista morto em Paris

“O homem é ele próprio e as suas circunstâncias”, assim teria dito o filósofo espanhol José Ortega y Gasset.
Valdemil, Portela e S. Pedro, lugares muito populosos, albergavam gente de muito trabalho e sacrifício; em geral era gente muito pobre, famílias grandes (muitos filhos), habitações miseráveis e acanhadas, pessoas que viviam do que ganhavam no dia a dia, sem saber como seria o de amanhã: caseiros, jornaleiros, pedreiros, trolhas, e alguns outros ofícios como sardinheiras, sapateiros, barbeiros… Mas eram famílias de boa índole, pacíficas, honestas e honradas (comparativamente ao grau de exploração, injustiça e usurpação de direitos, e do respeito devido a cada pessoa, de que eram vítimas por parte dos que mandavam e tinham algum poder, terras e dinheiro).
Entrando no lugar, logo depois dos campos cultivados (em tempos idos), junto à fonte, morava o sr. Francisco Estêvão Fernandes, artista e bombeiro voluntário, conhecido pelo cognome de ‘Pronto’, com a sua esposa Dona Esperança Gomes, da família dos Geadas da Vila da Póvoa. Dona Esperança era uma santa mulher, carinhosa e sofredora. Este casal teve duas filhas, a Natália e a Alice. Esta última foi das primeiras mulheres a ingressar na polícia portuguesa (PSP). Prestou serviço no Porto, casou, tem filhos e já está reformada.
Em casa alugada, aqui ou ali, mas sempre no lugar de Valdemil, residia o casal dos ‘Parlapiteiros’, originários da região do Porto, que tinha vindo para as terras de Lanhoso na altura das grandes empreitadas aqui realizadas; mas, anteriormente, o casal – Albano Moreira e Aurora Domingues – tinha estado em Espanha, onde lhes nasceram os três filhos: o Manolo (Manuel), o Canduxo (Cândido) e a Guanita (Joana), os dois últimos com família (filhos e netos) aqui na Póvoa de Lanhoso. Albano era pedreiro e Aurora Domingues foi jornaleira durante muitos anos nas quintas do padre Zé Dias.
A Natália, filha de Dona Esperança, e o Manolo, filho de Dona Aurora, casaram ainda muito jovens. Manolo era um bom pedreiro, mas bebia e fumava bastante. Teve sempre uma saúde frágil (era de compleição débil), mas era valente e trabalhador. O salário foi sempre escasso (tal como o ganho que os trabalhadores revertiam para os patrões nunca foi suficiente para estes darem azo às suas sempre legítimas aspirações de comprarem mais terras, mais uma casa e mais regalias). Manolo, que era um homem informado, inteligente e bom conversador, não conseguiu fugir ao fado de, tal como outros homens de Valdemil, exercer violência doméstica sobre a esposa. Era uma triste sina, que tornava a vida das famílias pobres ainda mais amarga. Natália, a esposa, era uma mulher bonita, lutadora, desembaraçada, mulher-mãe muito amada. Os filhos (cinco) foram nascendo e ela sempre a trabalhar. Era sardinheira. Vendia o peixe que o seu tio – António Sardinheiro, da vila – ia buscar todos os dias a Matosinhos. Vendia na feira da vila (às quintas-feiras), e, nos outros dias, carregava o tabuleiro cheio à cabeça e fazia o giro da vila até Valdemil, passando pelo Horto.
Um dia, no ano de 1967, toda a vila da Póvoa viu a Natália a passar numa correria aflita, avenida abaixo em direcção ao Hospital António Lopes. Descalça, esbaforida, de coração amargurado, foi dar com o seu homem já morto. O Manolo tinha saído de casa para trabalhar e na pedreira sentiu-se mal e foi levado para o hospital. Ficaram cinco filhos: o Francisco, o António, a Lúcia, a Jacinta e a Céu. A fotografia que acompanha  este texto mostra todos os filhos da Natália e do Manolo, quando a mãe, já viúva, deixara as crianças entregues à avó paterna Aurora e partiu clandestinamente para França, porque aqui, em Portugal, sozinha, já não conseguia sustentar a família. Na imagem citada (à frente) vêem-se ainda dois rapazes mais pequenos: um, o da esquerda, é o Marcelino (primo dos outros), filho da Guanita e do Amadeu de Sá, conhecido pela alcunha de ‘Razão’ (pedreiro, antigo emigrante e grande caçador de raposas). Este Marcelino parece que está, ou esteve, ligado ao Clube de Caçadores da Póvoa de Lanhoso. O outro miúdo não sei quem é. A menina da direita, sorridente e linda, é a mais velha das filhas, a Lúcia. A senhora mais velha é a avó Aurora, falecida em 1988, no Pinheiro, na casa da filha Guanita.
A mãe Natália, depois de ter a sua vida minimamente organizada em França, veio buscar os filhos. Ela chegou a comprar um terreno em Valdemil para construir uma casa, mas acabou por vendê-lo. Sei que voltou a casar. Com os dois filhos mais velhos, tenho mantido algum contacto, mas nunca mais voltei a ver as meninas, depois que saíram de Valdemil. A família do casal Natália e Manolo era vizinha da minha Mãe em Valdemil, porta com porta, e foram sempre bons vizinhos.
Este é o meu testemunho, de amizade, consideração e respeito, sobre a família de quem se falou na última semana.

Nota: na última semana falou-se desta família, nos jornais, nas televisões e nas rádios, a propósito de um filho de Lúcia Fernandes Moreira que participou e morreu nos atentados de Paris na noite de 13 deste mês. Esse jovem, filho da Lúcia e do seu marido de origem árabe, era partidário do Jiadismo, corrente que defende a chamada ‘guerra santa’, como forma de tentar impor a sua concepção religiosa denominada Jiade (ver Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa).
 



Misericórdia da Póvoa de Lanhoso

António Queirós lança duras
críticas à actual equipa


Cinco meses depois de anunciar a candidatura a Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, António Queirós, acompanhado de vários elementos da lista por si encabeçada, convocou a comunicação social, na manhã de ontem, para denunciar algumas situações vividas na instituição. Vincando que “a Santa Casa da Misericórdia é uma instituição quase centenária que nos merece o maior respeito”, o candidato reiterou as “denúncias oportunamente feitas relativamente ao clima de medo, de pressão, de chantagem e até de perseguição que se vive na instituição.
“Tivemos muita dificuldade em constituir a nossa equipa. Precisamente pelo medo que as pessoas têm em afrontar quem dirige, neste momento, os destinos da nossa Misericórdia”, esclareceu António Queirós.
“Esta pode ser a última oportunidade de devolver a Santa Casa aos irmãos e à Póvoa de Lanhoso, em face do previsível assalto ao poder. Sabemos que, se os Irmãos confiarem à actual administração um novo mandato, tudo farão para se pere-nizarem no poder, aliás é isso que tem vindo a suceder-se”, referiu.
“Tememos pela instituição, pois não possuímos dados que nos esclareçam como poderá a SCMPL pagar os cerca de 4 milhões de euros gastos nos últimos 3 anos”, vincou, fazendo referência à insolvência de uma empresa da qual Humberto Carneiro era sócio e gerente, assim como à insolvência pessoal do Provedor da Misericórdia.
“E quem não é capaz de gerir uma empresa, nem a sua vida particular, que confiança transmite essa mesma gestão incapaz, em relação à gestão de dinheiros públicos e prova-dos? No nosso entendimento, nenhuma”, questionou o candidato.
“Como é que uma pessoa que tem um tutor, o Administrador de Insolvência, para o ajudar a gerir a sua vida patrimonial, durante 5 anos, o período de duração da insolvência, pode administrar um orçamento de quase 12 milhões de euros como é o da Misericórdia?”, voltou a questionar António Queirós, revelando que “numa postura digna, responsável, ética e moral para com os Irmãos e em especial para com a instituição secular que é a Misericórdia” o dr. Humberto Carneiro deveria ter pedido a sua demissão após o “reconhecimento público assente na sua inaptidão de gestão do seu património”, bem como não deveria ter-se apresentado novamente como candidato a Provedor.
Esclarecendo as razões que os levaram a não comparecer na última Assembleia Geral, António Queirós referiu que solicitaram à Mesa Administrativa o fornecimento de elementos de gestão referentes ao ano em curso mas que foram sonegados.