CASTELO DE AREIA
VIDAS PERDIDAS

A Póvoa de Lanhoso andou nas bocas do mundo pelos motivos mais tristes. No passado dia 17 de Fevereiro a tragédia abateu-se sobre a freguesia de Taíde e duas pessoas perderam a vida num acidente de trabalho. Duas vidas ceifadas numa operação de queima de resíduos numa fábrica de explosivos. As televisões e outros meios de comunicação social nacionais apareceram em peso no local da tragédia. Pena é que só apareçam em grande mero quando ocorre algo de muito mau. As audiências falam mais alto e quem as dita são os portugueses.

Taíde

Explosão tirou a vida
a dois
povoenses




















Duas pessoas faleceram, no dia 17, vítimas de uma explosão que ocorreu numa fábrica de explosivos, localizada no lugar de Cima de Vila, na freguesia de Taíde. Tudo aconteceu por volta das 11h50 e, segundo apuramos, as duas vítimas procediam à destruição de resíduos quando se terá dado a explosão, cujas causas estão a ser investigadas pelas autoridades policiais.
A explosão provocou a morte a Adelino António Rodrigues, de 55 anos, residente no lugar dos Moinhos Novos, na Póvoa de Lanhoso, e a Alice Maria Vieira Oliveira, de 47 anos, residente na freguesia de Oliveira, ambos funcionários da empresa Moura, Silva & Filhos S.A., local onde ocorreu a explosão e que emprega cerca de 50 pessoas.
De acordo com Carlos Macedo, da Associação Portuguesa dos Industriais de Pirotecnia e Explosivos (APIPE), o acidente que vitimou as duas pessoas ocorreu numa zona de queima de resíduos. Os dois trabalhadores encontravam-se num local próprio destinado à queima desses resíduos e tal tarefa é feita diariamente e comum a estes tipo de empresas.
“Trata-se da queima de pequenas quantidades de resíduos. A legislação obriga a locais próprios de queima”, referiu Carlos Macedo. “As embalagens que saem com explosivos têm que regressar. Existe uma legislação específica e não podem ser depositadas em qualquer ecoponto. Têm que ser destruídos num local próprio, devidamente autorizado pela Direcção Nacional da PSP, e devidamente vigiado e controlado”, explicou o responsável da APIPE.
“Os donos estão em estado de choque pois esta situação mexe com toda a gente”, adiantou ainda Carlos Macedo que garantiu ainda que a empresa funciona há vários anos e possui todas as credenciais. “Todas as regras são cumpridas”, afirmou aquele responsável.
Carlos Macedo afirmou ainda que só depois do inquérito realizado pelo Departamento de Armas e Explosivos da PSP é que se poderá saber as causas da explosão. “Algo correu mal”, disse...

Santo Emilião

Catequistas reunidos
No passado dia 13 de Fevereiro, sábado, o Arciprestado da Póvoa de Lanhoso celebrou o 1º Encontro Arciprestal do Catequista. Com o objectivo de descentralizar a pastoral catequética, o encontro decorreu na paróquia de Santo Emilião, subordinado ao tema “O sim do catequista”.
Depois da apresentação do programa pela ECA da Póvoa de Lanhoso, a equipa de formação conduziu o acolhimento e oração dos cerca de 150 catequistas que responderam sim ao convite, provenientes das 31 paróquias do mesmo Arciprestado. Sucedeu-se um momento de reflexão sobre o caminho que a Diocese apresenta sobre a catequese, proferido por Nuno Pires, responsável pelos Serviços de Formação do Departamento Arquidiocesano da Catequese de Braga.
Nesta sua intervenção deixou o caminho aberto para a actuação do Musical: “Maria disse Sim”, protagonizado por elementos provenientes dos diversos movimentos da paróquia de Santo Emilião. No final, a grande mensagem do musical foi o SIM comprometedor do catequista no campo da evangelização, bebendo como exemplo o Sim de Maria. Terminaram com uma certeza: “Vale sempre a pena dizer sim. Um sim de entrega, de dádiva, de amor que devia ecoar no tempo… Para nós, catequistas, nada mais se torna impossível porque Maria disse SIM!”...

Entrevista a José Castro, Presidente da Junta de Freguesia de Garfe




“Tenho amor a esta terra
e foi esse o motivo
que me levou a concorrer”


Depois de ter sido candidato em 2005, José Castro voltou a apostar, em 2009, na candidatura à Junta de Freguesia de Garfe, saindo vencedor do acto eleitoral realizado no dia 10 de Outubro. A rede viária e o saneamento básico são duas das preocupações do novo presidente de Garfe, que não esquece os mais desfavorecidos.


Maria da Fonte - O que o levou a candidatar-se à Junta de Freguesia de Garfe?
José Castro – O que me motivou foi sempre o querer contribuir para o desenvolvimento da freguesia onde nasci. Estive emigrado, em França, durante quinze anos e agora estou aqui a viver. Tenho amor a esta terra e foi esse o motivo que me levou a concorrer, sempre com a ideia de ajudar no desenvolvimento da freguesia de Garfe.

MF - Que balanço traça destes primeiros meses?
JC – Tem sido positivo e temos tido a colaboração da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso. Temos feito alguns trabalhos e vamos fazendo o que está ao nosso alcance. Dentro das nossas possibilidades vamos procurando responder às necessidades das pessoas, mas ainda há muito trabalho a fazer.

MF - A freguesia de Garfe é já conhecida pelos seus presépios. É importante uma iniciativa como esta?
JC - Sim, é muito importante. O nome da freguesia é divulgado por todo o mundo, através da comunicação social. Por outro lado, esta iniciativa promove o convívio entre as pessoas da freguesia, não só em cada lugar mas também entre os vários lugares, uma vez que as pessoas percorrem os vários presépios e vão convivendo uns com os outros.

MF - A sinalética é um dos pontos a corrigir. O que irá fazer a Junta de freguesia neste campo?
JC – Vamos procurar ajudar dentro das nossas possibilidades, nomeadamente na questão das placas, mas sempre com a ajuda da Câmara Municipal, uma vez que as nossas verbas são limitadas. No que se refere aos apoios a cada presépio, mantivemos o que vinha do anterior executivo. A freguesia foi visitada por muita gente que leva o nome da freguesia por todo o país...
“Temos a promessa de que dentro
de pouco tempo será aqui
colocada uma caixa multibanco”


Maria da Fonte – O que já foi feito até agora?

José Castro - Temos procedido, com a ajuda da autarquia, à limpeza das bermas das estradas da freguesia. Estamos também a resolver um problema de saneamento dos prédios no centro da freguesia, no lugar de Salgueiros. Colocamos diversas tampas em ferro nas condutas das águas pluviais. Em alguns casos não existiam e noutros estavam deterioradas. Desta forma, evitamos que aconteça qualquer acidente. Por exemplo, estamos a colocar grades de protecção nas poças para que assim se evite qualquer acidente. Estamos a dar o nosso melhor para resolver os problemas das pessoas.

MF - O que pretendem concretizar neste primeiro ano?
JC – Temos planeadas diversas obras. Para este ano, temos prevista a colocação da toponímia em toda a freguesia. Vamos criar nomes de ruas e este assunto vai à Assembleia de Freguesia. Posteriormente, será afixada para que os moradores possam dar o seu contributo e as suas opiniões. Se houver possibilidade, gostaríamos de proceder ao arranjo de vários caminhos, alguns deles ainda estão em calçada à portuguesa.
Temos, também, um outro problema de saneamento no lugar da Comenda e estamos a encetar esforços na sua resolução.
Os limites da freguesia, em relação ao concelho de Guimarães é um dos problemas que nos preocupa e não baixaremos os braços e não abdicaremos desses terrenos e habitações que consideramos pertencer a Garfe.

MF - A construção de uma praia fluvial foi uma das obras apontadas no vosso manifesto eleitoral. O que pretendem fazer?
JC – Esse assunto ainda está atrasado pois temos tido outras prioridades. É tudo uma questão de tempo e de verbas. A ideia seria criar um espaço de lazer para que os habitantes, e não só, possam usufruir das bermas do rio...
‘Mãe’ dos povoenses homenageada

















O descerramento de uma lápide, a inauguração de uma exposição de fotografia e uma conversa sobre a figura de Elvira Câmara Lopes foram as iniciativas realizadas, pela Santa Casa e Câmara Municipal da P. Lanhoso, no âmbito das cerimónias de evocação do centenário da morte de Elvira Câmara Lopes, esposa do grande benemérito António Lopes, no passado dia 11 de Fevereiro. As cerimónias tiveram início pelas 11 horas, com a realização de uma Eucaristia, presidida por D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga. No decurso da Eucaristia, e dado que naquele dia se celebrou a festa de Nossa Senhora de Lurdes e o Dia Mundial do Doente, D. Jorge Ortiga alertou para a necessidade de estarmos atentos às carências, às necessidade e aos problemas que afectam as outras pessoas. “Tomando consciência dos problemas devemos procurar intervir dentro das nossas possibilidades”, incentivou o Arcebispo Primaz de Braga.
No tocante a D. Elvira Câmara Lopes, aquele responsável da Igreja Católica destacou a personalidade rica, a sua sensibilidade e atenção aos problemas dos mais necessitados. Dedicação, solidariedade e espírito de entrega foram alguns dos valores apontados a Elvira Câmara Lopes que, segundo D. Jorge Ortiga, estão em falta na nossa sociedade. Findo o acto religioso, seguiu-se o descerramento de uma lápide, na Unidade de Longa Duração (ULD), que está em fase de conclusão e à qual será atribuída o nome de Elvira Câmara Lopes. Esta foi, pois, uma das formas encontradas pela Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso para homenagear a esposa de António Ferreira Lopes, no centenário do seu falecimento. A par destas, seguiu-se uma visita às instalações da ULD, com Humberto Carneiro a guiar os presentes pelas várias alas que compõem aquela unidade, cuja entrada em funcionamento está marcada para o dia 26 de Abril. Neste dia, dezenas de povoenses não deixaram de prestar homenagem àquele figura que, no dia de sua morte, foi apelidada pelos povoenses de “mãe” e “santa”. Sem filhos, o casal António e Elvira Câmara Lopes, adoptou os povoenses como seus filhos, deixando um enorme legado. O Hospital António Lopes, as Escolas Primárias (agora transformadas em Centro Educativo), o Theatro Club e a Câmara Municipal são algumas das obras associadas a António Ferreira Lopes. Por ocasião do descerramento da lápide, Humberto Carneiro, Provedor da Santa Casa, frisou que esta homenagem, justa e singela, pretende homenagear uma mulher que se deu aos pobres, que tinha bens materiais e que os dispôs a favor dos mais desfavorecidos...
Rallye Torrié regressa
à Póvoa de Lanhoso

Nos dias 5 e 6 de Março, o Rallye Torrié regressa à Póvoa de Lanhoso, com a prova deste ano a abandonar os troços em terra e a disputar-se apenas em asfalto. A organização, novamente a cargo do Targa Clube, conta com os apoios da autarquias da Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho. À semelhança do que aconteceu em 2009, vão disputar-se na vila Póvoa de Lanhoso duas provas especiais espectáculo – a Póvoa de Lanhoso “Terra do Ouro”, na sexta-feira, dia 5, à noite, nas ruas do centro da vila, e a Póvoa de Lanhoso “Maria da Fonte”, no sábado, à tarde, no Parque Industrial de Mirão. “Mantemos a aposta nestes eventos bem como em outros de âmbito cultural, porque estamos convencidos de que não pode-mos, apesar de conjunturalmente a situação ser de dificuldade, abdicar de, mesmo com maior contenção, efectuar investimentos que promovam a animação na vila e que permitam afirmar externamente as nossas potencialidades turísticas”, considera a vice-presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e vereadora do desporto, Gabriela Fonseca. As estradas de algumas freguesias do concelho, como Póvoa de Lanhoso, Ajude, Friande, Verim, Oliveira e Serzedelo também irão receber os pilotos desta competição, que promete voltar a entusiasmar o público amante da modalidade. “O Município não pode apenas reagir à conjuntura, tem que, paralelamente, manter uma estratégia que promova o seu alojamento, a sua boa oferta gastronómica, o comércio e os seus equipamentos municipais. No fundo, que mantenha o seu papel na dinamização da economia local como forma de potenciar emprego e desenvolvimento social”, refere a responsável concelhia...

FUTEBOL - Terceira Divisão Nacional

Derrota em Valença atira
Maria para quarto lugar

A derrota do Maria da Fonte, no terreno do Valenciano, levou a equipa comandada por Artur Correia a saltar da segunda para a quarta posição na tabela classificativa, mas dentro dos objectivos definidos que são os seis primeiros lugares da tabela classificativa, que garantem a manutenção na III Divisão Nacional. O Maria da Fonte permanece na quarta posição, com 33 pontos, os mesmos que o Valenciano, o 3,º classificado. Na sua deslocação a Valença do Minho, Artur Correia voltou a apostar em , para o meio campo, e em Jussane para a frente do ataque, com Rui Abreu a ocupar o banco de suplentes e a entrar quando estavam decorridos 60 minutos do encontro. Para o onze inicial, as escolhas do técnico marifontista recaíram em Miguel, Nuno Mendes, Gonçalo, Fredy, Rui Novais, Diogo, , Pedrinho, Rui Lima, Mota e Jussane. O primeiro golo do encontro pertenceu ao Valenciano, quando estavam decorridos 31 minutos, por intermédio de Everton, que fez o golo depois de um passe de Linhares. Até aí o jogo mantinha-se equilibrado, sem qualquer oportunidade para ambas as partes. O Maria da Fonte entrou bem na segunda parte e a resposta dos homens da Póvoa de Lanhoso chegou aos 49 minutos, por intermédio de Diogo, com a bola, após a marcação de um pontapé de canto, a chegar ao primeiro poste da baliza do Valenciano, com o avançado marifontista a não desperdiçar e a deixar tudo em aberto. O golo da vitória do Valenciano apareceu quando estavam decorridos 84 minutos, com Baciro a dar o golo que permitiu à formação da casa sair vitoriosa do encontro...

CEM ANOS DE REPÚBLICA (2)

Fuga do rei para Brasil
propaga ideias francesas

A implantação do regime republicano, há cem anos, começou com as invasões francesas que fizeram sangrar o Minho há 200 anos e semearam o terror, destruição e custaram milhares de vidas no Minho. Quatro anos de guerra deixaram o país em situação "miserável" — como escreve o historiador Oliveira Marques na sua História de Portugal ao sublinhar que aquelas invasões devastaram boa parte de Portugal, sobretudo a norte do Tejo. A agricultura, o comércio e a indústria foram profunda- mente afectados, já sem falar das perdas de vidas, das crueldades habituais e das destruições sem conta". A esta primeira das cinco causas que hão-de conduzir mais tarde cem anos à implantação da República, junta-se o saque de franceses e ingleses de um bom número de mosteiros, igrejas, palácios, levando consigo toda a casta de objectos preciosos, incluindo quadros, esculturas, móveis, jóias, livros e manuscritos de incalculável valor. A terceira causa resulta da presença, entre 1808 e 1821, dos ingleses que transformaram este reino numa colónia, enquanto a fuga da família real transformava Portugal numa colónia do Brasil.

BRASIL: DECISIVO

O Brasil fora proclamado Reino, unido a Portugal, cuja Rainha D. Maria I, que morrera em 1816, deixara no poder um D. João VI que não manifestava desejo de regressar a Lisboa. Aqui começa o descrédito da Monarquia da qual nunca mais se vai levantar. Os príncipes revelavam-se mais brasileiros que portugueses, uma vez que o mais velho saíra de Lisboa com apenas nove anos. Começava a germinar, um pouco por todo o país, o descontentamento contra o rei e contra os ingleses que se apoderavam do território, do exército e dos pontos fulcrais do Governo.
A situação económica do povo e da classe burguesa, devastada pelas invasões francesas e pelos pesados tributos aos ingleses, agravava-se sem horizontes positivos à vista. Por toda a parte, havia sinais do fermento da revolução republicana que há-se florir cem anos depois.

LENTA, PORQUÊ?

Perguntar-meão os leitores: porque resistiu tanto tempo a monarquia decrépita ao avanço dos ideais republicanos, num país esvaído e pobre? Com a presença dos ingleses, apenas 40 anos depois da Revolução Francesa começam a despertar os ideais, devido à situação periférica do país em relação à Europa e ao atraso económico, financeiro, técnico, social e cultural do povo.
A onda de inovação não encontrou eco no povo mas apenas em alguns pilares da burguesia comercial dos principais centros urbanos porque o resto do país — com a nobreza e família real no "bem bom" do Brasil — retomava as actividades primárias na agricultura, permanecia no senhorialismo, sob omnipotência e omnipresença da Igreja Católica e do padre sobre as massas camponesas mais ou menos miseráveis e analfabetas. A situação em que vivia o povo é bem descrita pelo bracarense A. Ménici Malheiro, quando diz em letra de forma, um dos grandes republicanos: "Dos arceispos, uns — muito poucos — merecem o nosso respeito, apenas, como homens, pelo que fizeram em benefício de Braga, a outros, que são a grande maioria, unicamente votamos a nossa mais revoltante indignação, pela falta de patriotismo, como Frei Bartolomeu dos Mártires, e pelo muito que fizeram sofrer os nossos pobres antepassados, explorando-os, vexando-os e, o que é mais, conservando-os mergulhados na mais profunda ignorância, para melhor tripudiarem sobre eles". E tanto é assim que o marechal Beresford, além de comandar a vida portuguesa e reorganizar o exército, foi ao ponto de restabelecer a Inquisição e o Juízo de Inconfidência e encheu as prisões de suspeitos da "pedreirada" — maçonaria. As fainas comerciais entre Lisboa e o Brasil levaram algum tempo a reforçar a burguesia como agente político e social contra a monarquia (brasileira) até porque esta ajudava-os a levar a sua vidinha. "Não havia motivos suficientemente fortes para que a burguesia se sentisse muito lesada pela monarquia absolutista" — como assegura Joel Serrão no seu Dicionário de História de Portugal...