Armindo Veloso




MENTIR SEM NECESSIDADE

A mentira faz parte do ser humano.
A prestigiadíssima revista brasileira “Veja” publicou um estudo acerca de um mundo onde a verdade fosse um valor absoluto. Resultado: esse mundo era ingovernável.
De facto, nas mais pequenas coisas dá para ver o que seria. Já alguém imaginou uma mãe a perguntar a opinião sobre o seu bebé e nós respondermos com um rotundo ‘é feio!’; ou alguém nos convidar para jantar em sua casa e a nossa opinião acerca da comida ser: “está horrível!”.
Estes pequenos e comezinhos exemplos servem para se ver quão correcto está aquele estudo se o absolutizarmos. É certo que a mentirinha faz parte de nós. Já não dá para entender porque se mente com os dentes todos acerca de coisas importantes. E, mais grave, quando não há necessidade disso.
Vem isto a propósito dos nossos políticos, a começar pelo primeiro-ministro, mentirem de uma forma despudorada. Não entrando em assuntos polémicos, sem provas, como os que têm alimentado os media nos últimos meses, peguemos no PEC, Programa de Estabilidade e Crescimento.
Diz o nosso primeiro-ministro que, com excepção dos escalões de IRS mais altos, (leia-se a partir dos cento e cinquenta mil euros ano), passam a ser tributados a 45% em vez dos 42 até aqui, não há aumento de impostos. Ai não?! Então um contribuinte que, com as deduções normais de saúde e educação, recebia, devolvidos, por exemplo mil euros, e a partir deste PEC passa a receber, rigorosamente nas mesmas circunstâncias, 800 euros, não paga mais duzentos euros por ano ao fisco?! O que nos interessa a nós os termos técnicos?! Facto é facto!
Vejamos; se é necessário, e é, fazer um PEC rigoroso para o nosso bem futuro e para responder às exigências da União Europeia, não seria melhor dizer aos portugueses a verdade sobre a nossa situação?
Não ficaríamos todos muito mais motivados e conformados? Pela minha parte e reconhecendo muitas características boas a José Sócrates, fico com a pulga atrás da orelha acerca das tais “atoardas”.
Quem faz um cesto, faz um cento...
Até um dia destes.

CASTELO

Criatividade


As escolas e instituições de solidariedade social do concelho colocaram mãos à obra e produziram belos corações em filigrana, no âmbito da ‘Heart Parade’, uma iniciativa da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, que integrou as Festas de S. José. A criatividade esteve ao rubro e as armações em ferro deram lugar a belíssimos corações. Com materiais do meio natural, reciclados ou passíveis de reciclagem, as mãos habilidosas de alunos, educadoras, auxiliares e utentes produziram belas obras de arte que transformaram o Largo António Lopes, num verdadeiro palco de criatividade e originalidade.

CASTELO DE AREIA
Mau tempo

O mau tempo que se fez sentir nos vários dias das festas de S. José prejudicou a afluência de pessoas à vila da Póvoa de Lanhoso para acompanhar algumas das iniciativas que faziam parte do programa. S. Pedro e S. José estiveram de costas voltadas e durante vários dias a chuva teimou em cair. Com estreia marcada para a noite de quinta-feira, dia 18, o espectáculo ‘Vira a Vida’, do Centro de Criatividade foi adiado para o próximo domingo, dia 28 de Março. Mais do que um bom programa, o bom tempo é fundamental para o sucesso de qualquer festa.

Cultura Povoense


Sala de Interpretação
do Território com nova mostra

Partituras da banda musical de Ajude (que existiu naquela freguesia na década de 30); uma ponta de seta em xisto e vaso cerâmico, do Dólmen da Tojeira, na freguesia de S. Gens de Calvos; miniatura do Arco de Páscoa, da freguesia de Louredo; réplica do Pelourinho, da freguesia de Moure; imagem de S. Bento, da freguesia de Santo Emilião; e relógio de sol, de Verim, são alguns dos elementos que podem ser apreciados na nova exposição da Sala de Interpretação do Território, localizada na Casa da Botica, na Póvoa de Lanhoso. Trazer as escolas e as IPSS's àquele espaço é um dos objectivos da Câmara Municipal, conforme salientou Manuel José Baptista, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, por ocasião da cerimónia de inauguração, realizada sábado, dia 20 de Março. Uma das peças de maior significado presente nesta mostra pertence à freguesia de Oliveira e diz respeito a um pergaminho de doação das relíquias à freguesia de Oliveira, datado de 1585. Os elementos associados à freguesia de S. João de Rei dizem respeito a uma carta de licença e quitação, de 1735, e um edital, de 1845, enviado pela Rainha ao administrador do concelho...

Oliveira: ‘Caminhos
da Aventura’ na Diverlanhoso

Seguindo o lema de que desporto aventura é para todos, a Diverlanhoso, empresa de desporto aventura, localizada na freguesia de Oliveira, colocou em marcha um novo projecto, com vista a possibilitar a prática de desportos radicais a pessoas com deficiência, nomeadamente deficiência mental, visual ou de locomoção. O novo projecto denomina-se “Caminhos da Aventura” e integra nove instituições de pessoas com características especiais. Segundo a empresa, dado que em 2010 é o Ano Jacobeu, essas empresas encontram-se distribuídas pelo caminho português de Santiago. “Realizamos actividades com pessoas com dificuldades visuais, mentais, de locomoção ou movimento e amputados, sempre com bons resultados”, frisa a Diverlanhoso. De Março até final de Novembro, uma vez por mês, a Diverlanhoso recebe cada uma das nove associações convidadas, vindas do Porto, Vila do Conde, Ponte de Lima, Tui, Redondela, Pontevedra, Pádron e Santigo de Compostela...

Entrevista a Manuel de Sousa, Presidente da Junta de Freguesia de Travassos


“Uma das maiores necessidades
da freguesia é a capela mortuária”

Considerando que a experiência como presidente de Junta tem sido boa e cativante, Manuel Rodrigues de Sousa aponta a requalificação do centro cívico como a grande obra a concretizar. Para além da conclusão da capela mortuária, o presidente da Junta de Freguesia aponta a rede viária com uma das preocupações. A criação de uma pequena pequena biblioteca é um dos projectos que será concretizado brevemente.

Maria da Fonte – Como tem sido esta experiência como presidente de Junta?
Manuel Sousa – A experiência tem sido boa e cativante. Lancei-me nesta nova função e espero dar saída aos desafios que vão surgindo. Gosto de conviver com o povo, conversar com as pessoas e ajudar a resolver certos problemas. Foi para isso que me candidatei. Quanto ao cargo, era o que estava à espera pois sabia que ia encontrar muito trabalho. Ser presidente de Junta implica muito trabalho mas era algo que já esperava e vou fazer os possíveis para lhe dar saída. Nasci nesta freguesia e é aqui que vivo. Gosto muito desta freguesia. Temos contado com a colaboração de toda a gente. Quando tomamos conta da Junta de Freguesia herdamos alguns problemas mas estamos a tentar resolver, da melhor forma, esses mesmos problemas.

MF – Quais as maiores necessidades da freguesia de Travassos?
MS – Uma das maiores necessidades é a capela mortuária, que está em construção, e é um dos problemas herdados pois a capela foi construída, está quase finalizada, mas há vários problemas a resolver. Espero resolver tudo isso e que dentro em pouco essa obra seja finalizada, para servir as necessidades das pessoas da freguesia. Em relação à água da rede pública, parte da freguesia já se encontra coberta pela rede de água mas ainda falta a parte mais alta da freguesia. Esperamos que, em breve, também seja uma realidade. No caso do saneamento, está é uma das grandes necessidades da freguesia e de toda a população. Não sei para quando a sua concretização mas espero que seja para breve. Quanto à rede viária, a estrada principal está bastante danificada devido à colocação da rede de água e ainda temos vários caminhos a necessitar de intervenção. Temos caminhos que necessitam de pavimentação e outros que precisam de ser requalificados.

MF – Que obras gostaria de concretizar neste ano?
MS – Em princípio, a capela mortuária deve ficar concretizada em breve, assim como a área envolvente à mesma, que será requalificada. Essa é uma das prioridades no momento. Além desta obras, iremos intervencionar os caminhos mais necessitados...

“Só com a colaboração de todos
é que conseguimos levar avante o nosso projecto”

MF – Em termos de mandato, que obras gostaria de ver concretizadas na freguesia de Travassos?
MS – O centro cívico da freguesia é uma das obras que gostaríamos de concretizar, com o apoio da Câmara Municipal. Esta obra envolve vários locais da freguesia, desde a entrada, à Igreja, passando pela Aldeia de Baixo. O centro cívico é a sala de visitas da freguesia e é uma das obras que gostaria de concretizar. Pretendemos dar um aspecto mais digno a esses locais. A abertura de uma estrada, desde a escola ao Bairro de Nossa Senhora de Fátima, é uma das obras que temos intenção de concretizar, assim como a pavimentação de caminhos que ainda estão em terra batida, para que as pessoas possam circular, com o mínimo de conforto, dentro da freguesia. Se possível, e dado que a crise tem afectado todos, que-ríamos construir um salão que albergasse todas as pessoas da freguesia, para reuniões e convívios da freguesia.

MF – No manifesto eleitoral foi apontada a colocação de bocas de incêndio. Será para concretizar essa vontade?
MS – Ao remodelarmos o centro cívico, poderemos aí colocar bocas de incêndio, com os bombeiros a ter onde recorrer em caso de necessidade, evitando que se desloquem a sítios mais longínquos para abastecer. Se existirem bocas de incêndios, as mesmas vão permitir que se ataquem mais rápidos os incêndios.

MF – Foi também falado na intervenção da Poça da Vila. Como está o processo?
MS – Vamos tentar integrar esta obra na requalificação do centro cívico. Trata-se de um local no centro da freguesia, que fica junto à estrada e integra uma poça de consortes. Em volta, existe um pequeno terreno. Já falei com os donos desse terreno e os mesmos estão disponíveis para ceder aquele espaço. Trata-se de um sítio de passagem e pretendemos assear aquele local, conferindo-lhe um aspecto mais digno.

MF – A rentabilização do edifício da Junta de Freguesia foi também apontada. O que pretendem fazer?
MS – Já temos um posto de internet e pretendemos criar uma pequena biblioteca. Fiz um pedido a uma editora e já me fizeram chegar livros de temas variados. Vamos organizar esses títulos e disponibiliza-los aos habitantes, podendo ser lidos aqui ou requisitados para levar para casa. Temos livros infantis, de história, culinária, entre outros. Disponibilizamos também o edifício para um grupo de pessoas que estão a praticar dança e para a associação desportiva da freguesia, que aqui realiza as suas reuniões. Sempre que seja solicitado e dentro das possibilidades, colocamos o edifício ao serviço da população...
Louredo prepara festa
a Nossa Senhora da Alegria

De 4 a 6 de Abril, a freguesia de Louredo celebra as festividades em honra de Nossa Senhora de Alegria. Do programa elaborado consta no dia 4, domingo, ao romper do dia, grande salva de morteiros, à qual se segue o início dos preparativos do monumental arco. Pelas 17 horas, tem início o levantamento do Arco, com a participação do povo da freguesia, seguindo-se a leitura do testamento e a queima do Judas. À noite, pelas 21 horas, as atenções estão voltadas para a actuação da orquestra “Ukapa”. Na segunda-feira, dia 5, pelas 8 horas, tem início a visita Pascal pela freguesia. Às 15 horas, tem lugar a missa solene com sermão, à qual se segue a majestosa procissão, acompanhada pela fanfarra dos escuteiros de Fontarcada e inúmeras figuras alegóricas. No final dos actos religiosos, pelas 18 horas, o folclore sobe ao palco, com a actuação do Rancho Folclórico de Porto d'Ave, de Taíde. O grupo “Cantares da Nossa Aldeia” tem a sua actuação marcada para as 21h30. Na terça-feira, dia 6, último dia de festa, os jogos tradicionais marcam a tarde, com o início marcado para as 17 horas. Os cantares ao desafio, pelas 21h30 encerram musicalmente as festividades em honra de Nossa Senhora do Rosário. No final de cada dia de festa será queimada uma grandiosa sessão de fogo.
Teatro Gastronómico
é a nova aposta cultural

A Saga de Zacarias contra a morte e o Diabo – Teatro Gastronómico” é a mais recente proposta do Centro de Criatividade da Póvoa de Lanhoso, que conta com o apoio da Câmara Municipal, cuja estreia está agendada para sexta-feira, dia 26 de Março. “Uma experiência inédita que associa as delícias de um produto cultural divertido com os sabores típicos da culinária da região do Minho. Um espectáculo onde o espectador janta e se diverte juntamente com os actores e personagens”, revelam os responsáveis. As apresentações desta saga, divertida, cómica, burlesca, que conta a história de um homem que tentou enganar a Morte e o Diabo, acontecem no Coração do Minho, nas instalações da Casa do Bárrio, em Moure, e no Hotel Rural Maria da Fonte, em Calvos (Póvoa de Lanhoso). O público/espectador é convidado a participar em duas importantes comemorações: o baptizado de Juvita (filha mais nova de Zacarias), onde são servidas iguarias típicas minhotas, e, no final, um inesquecível jantar (Pica no Chão) para festejar a inevitável morte do protagonista: o Zacarias. Para esta celebração teatral, associam-se intérpretes consagrados do teatro: Armando Luís (o Zacarias), Isabel Pinto (a mulher de Zacarias), Sofia Lemos (a Morte), Marta Carvalho (a Rezadeira e Juvita), Roberto Moreira (o Diabo)...

Festas de S. José
condicionadas pela chuva

Terminaram, no passado domingo, dia 21 de Março, as festas em honra de S. José, numa edição marcada pela chuva, que obrigou ao cancelamento do espectáculo teatral “Vira a Vida”, adiado para o próximo domingo, dia 28. Depois da chuva, que se fez sentir nos dias 18, 19 e 20, o sol regressou no último dia de festa e a vila da Póvoa de Lanhoso foi invadida por uma verdadeira multidão. O encerramentos das festas esteve a cargo do Encontro de Tocadores de Concertinas e Cantares ao Desafio e a Praça Eng. Armando Rodrigues tornou-se pequena para acolher todos quantos ali de deslocaram para apreciar a iniciativa. Apesar da chuva, que retirou muito público a algumas iniciativas, nomeadamente aos momentos musicais e Festival de Folclore, a exposição “Heart Parade”, no Largo António Lopes, e a mostra de peças religiosas, no Theatro Club, ficaram marcadas pelo sucesso, com ambas as mostras a receber muitos visitantes, que apreciaram a criatividade dos alunos e dos utentes das IPSS's do concelho, assim como a beleza das alfaias religiosas das paróquias do arciprestado. Uma das novidades apresentadas este ano prendeu-se com a comemoração, no domingo, dia 21 de Março, do Dia Internacional da Poesia. “Póvoa em Poesia serve-se ao Café” foi a iniciativa realizada para assinalar a passagem daquele dia. Todos quantos tomaram café nos estabelecimentos comerciais do centro da vila, e restaurantes aderentes dos Fins-de-Semana gastronómicos, foram presenteados com uma poesia de um autor local...

Procissão de S. José
saiu à rua
debaixo de chuva

Apesar do tempo não ter ajudado, com a chuva a fazer-se sentir durante quase todo o dia de sexta-feira, dia 19 de Março, a majestosa procissão em honra de S. José saiu à rua, pelas 15h30, perante o olhar de milhares de pessoas, que compareceram na sede do concelho para acompanhar um dos momentos mais altos do cartaz das festas. No dia em que o concelho viveu o seu feria-do municipal, 29 andores percorreram as principais artérias da vila da Póvoa de Lanhoso, num acto que contou com a presença de inúmeras figuras alegóricas e de quadros bíblicos alusivos ao “Ano Sacerdotal” e “Acolher a Palavra de Deus”. Tal como em anos anteriores, os andores dos padroeiros das paróquias do concelho deram um simbolismo ainda maior ao cortejo solene, que contou com a presença dos elementos do executivo municipal, assembleia municipal, assim como das Juntas de Freguesia do concelho, confrarias, ranchos e demais associações que se fizeram representar com as suas bandeiras e representantes.

Actividades desportivas
marcadas pelo êxito

Passeio todo-o-terreno, festival de natação, grande prémio de atletismo, concurso de pesca, tiro aos pratos, BTT e concentração de motas clássicas foram as actividades desportivas que integraram as Festas de S. José deste ano, com todas elas a ficar marcadas pelo êxito.
A IV Prova de TT, realizada no dia 13 de Março, abriu desportivamente as festas de S. José, numa iniciativa promovida pelo TT Lanhoso. O passeio todo-o-terreno envolveu 53 jipes e um total de 102 participantes, que partiram numa aventura pelo concelho. Depois de um passeio, pelos caminhos de terra batida, da Serra do Carvalho, os participantes rumaram à pista de Trial, localizada na zona da Quintã, na Póvoa de Lanhoso, onde aí os pilotos e máquinas foram colocados à prova. No domingo dia 14, as principais artérias da Póvoa de Lanhoso receberam o XV Grande Prémio de Atletismo de S. José, numa prova que contou com a presença de 160 atletas, 38 dos quais da Póvoa de Lanhoso, em representação da EB 2,3 Professor Gonçalo Sampaio, que conseguiram bons resultados em termos colectivos e individuais.
Realizado na pista de pesca de Santo Emilião, o XXVI Concurso de Pesca Desportiva, ocorrido a 14 de Março, contou com a presença de 16 clubes, num total de 69 participantes. No tocante ao peixe, foram capturados 2,8 kgs. Em termos de classificação geral, o prova foi ganha pelo “Pesca e Caça de Penafiel”, que obteve 21 pontos...

FUTEBOL - Terceira Divisão Nacional

Derrota caseira
Naquele que foi o último jogo da 1.ª fase da Série A da III Divisão Nacional, a formação do Maria da Fonte recebeu a turma do Bragança e saiu derrotada do encontro, por 2-0, com os golos a serem marcados no decorrer da primeira parte. O primeiro golo dos visitantes surgiu através da marcação de uma grande penalidade, aos 16 minutos, por alegada mão na bola de Fredy, no interior da área do Maria da Fonte. Mobil foi o homem chamado para a marcação e abriu o caminho para a vitória do Bragança. O segundo golo dos forasteiros apareceu aos 24 minutos, por intermédio de Pinhal, que, na marcação de um livre, coloca a bola no fundo das redes da baliza de Miguel, sem qualquer hipótese para o guardião do Maria da Fonte. Em desvantagem, a formação do Maria da Fonte procurou dar a volta ao resultado, mas foi na segunda parte que o ímpeto atacante da formação da casa esteve mais em evidência. Aos 40 minutos ficou por marcar um penalty a favor do Maria. O juiz Nuno Cabral, da A. F. de Vila Real não viu a mão na bola de um atleta do Bragança, no interior da sua área, num lance que poderia influenciar o resultado do encontro...

Cem anos de República (4)

Igreja é regaço cúmplice
do Miguelismo no Minho

A presentamos na crónica anterior algumas razões que explicam a lentidão da implantação dos ideais franceses em Portugal, cuja primeira tentativa aconteceu em 1820 e se traduziu na sua maior derrota, a independência do Brasil. Depois vem nova reacção miguelista com a "abrilada" em 1824 e no ano seguinte Portugal reconhece a Independência do Brasil, um ano antes da morte de D. João VI, aproveitada por miguelistas que obrigam os liberais a fugir para França e Inglaterra. D. Maria II tem sete anos de idade e D. Pedro IV, do Brasil, entrega o poder a D. Miguel que é aclamado rei em 1828, cargo que exerce até 1832, ano em que é destituído por D. Pedro, até D. Maria II atingir a maior idade. Foram anos difíceis para Portugal, com guerra civil e violenta repressão ideológica dos liberais sempre que "tentavam erguer a cabeça".
Novo revés para os ideais republicanos surge com a guerra civil entre liberais e absolutistas, entre 1832 e 1834, o que ajuda a explicar que a agonia e morte do absolutismo entre nós se apresentasse excessivamente longa.

IGREJA MIGUELISTA

Nesse cenário, Braga e todo o Minho abraçam a causa miguelista devido, em primeiro lugar, à matriz religiosa do discurso político de D. Miguel, com a sua componente messiânica, factor que aliado à prática da hegemonização política (a partir de 1828) contribuem para a resistência miguelista entre 1836 e 1846. Em Braga, os anos vividos entre 1828 e 1834 foram de grande agitação, com a Igreja Católica a colocar-se ao lado dos absolutistas de forma escandalosa — aos olhos do nosso tempo. Braga foi uma das cidades onde o miguelismo teve maior implantação mas onde a resistência liberal foi mais sacrificada, por três razões fundamentais apontadas no parágrafo anterior. A matriz religiosa do discursos do miguelismo coincidia com os interesses de uma Igreja Católica feudalizada em que a ameaça de uma revolução à francesa — cujos ideias tinham sido disseminados por soldados durante as invasões e outras associações — perturbava os responsáveis eclesiásticos. Estes estremeceram de espanto e de horror face não só às atrocidades revolucionárias sofridas por diversos membros do clero francês mas sobretudo devido aos demolidores efeitos políticos e sociais de um programa "descristianizador".
Valores e "verdades consagradas desde a Vinda de Cristo eram alvejadas com ousadia "diabólica" pela "deusa Razão" o que constituía uma ameaça concreta para a igreja romana. O recurso à defesa era entendido não só como um direito mas também como imperativo de sobrevivência. A contra-revolução miguelista teve assim no regaço católico o terreno propício para vingar, ao associar-se à denúncia do "assalto da impiedade à cidade de Deus". A motivação do apoio do clero e D. Miguel não era apenas económica mas ideológica: estava em causa a sobrevivência de uma religião multissecular e esta ideia era vigorosamente defendida nas visitações feitas pelos clérigos de Braga às aldeias de Póvoa de Lanhoso, Barcelos, Famalicão, Vila Verde, Vieira do Minho, Esposende, Viana do Castelo, etc...

Armindo Veloso




A DESGRAÇA DE UNS...

No rescaldo da calamidade que há semanas se abateu sobre a ilha da Madeira resulta uma conclusão óbvia: a desgraça de uns é a “fortuna” de outros De uma forma ou de outra todos nós sabemos que as coisas são assim. No entanto, quando nos batem à porta bem perto ficam mais clarividentes. Lembram-se certamente da confusão provocada pela célebre lei das transferências regionais que durante uma semana pôs Portugal em estado de sítio. Como quase sempre, não havia o mínimo entendimento entre as diversas forças políticas e a coisa esteve preta ao ponto do Presidente da República ter convocado o Conselho de Estado e o primeiro-ministro ter chamado de emergência a líder do PSD a S. Bento. Por entre confusão e mais confusão, houve ameaças veladas de demissão do Governo se tal lei fosse aprovada. Foi-o e pairou no ar a incerteza da promulgação ou não por parte do Presidente e o pedido de inconstitucionalidade por parte do PS. Eis senão quando a natureza, Essa, põe na ordem os pigmeus desavindos. Uma torrente de água de três horitas bastou para pôr a ilha ao contrário provocando dezenas de mortos e serenando os ânimos até ao ponto do “afago”. É. De facto, a desgraça de uns é a “fortuna” de outros. Nos próximos meses, largos, não vamos ouvir o mínimo ruído entre Alberto João Jardim e os governantes da República. Vão passar burros e canastras... Lembremos outro caso no nosso país vizinho: eleições em Espanha. Atentado terrorista que provocou mais de uma centena de mortes. Aznar, então presidente do governo, imputa a responsabilidade à ETA. Horas depois veio-se a saber que o responsável foi a Al-Qaeda. Mentira de Aznar e do PP espanhol. As sondagens davam até ali, todas, larga vantagem ao PP e ao seu novo líder, Rajoy. Urnas. Vitória clara do PSOE. Zapatero nunca vai esquecer a desgraça daqueles pobres trabalhadores do subúrbio madrileno.
Foram a “fortuna” dele.
Até um dia destes.

CASTELO

Assinantes do 'MF' muito generosos


Não se quis identificar, mas merece o nosso destaque. Um assinante do 'Maria da Fonte' natural de Águas Santas, residente em Lisboa, enviou ao nosso jornal um donativo de mil euros para entregar à Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga e aos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, metade para cada instituição. Esta atitude solidária do nosso assinante demonstra a grande generosidade dos povoenses, mesmo aqueles que estão longe... geograficamente.

CASTELO DE AREIA
Guerra de números

O PS diz que entraram no quadro da Câmara Municipal desde 2006 até hoje 64 novos colaboradores na Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso. O PSD diz que foram celebrados contratos com 56 funcionários, mas que o aumento real apenas se traduziu em 22 funcionários, justificando esse número pelas pessoas que já tinham vínculo contratual e vinham do mandato socialista, pelos funcionários aposentados, em comissão de serviço, licença de longa duração ou licença sem vencimento. O PS argumenta que em despesas de pessoal será gasto, em 2010, mais 1,6 milhões de euros. O PSD argumenta que foram criadas novas competências e serviços e que as mesmas tinham que ser dotadas de recursos humanos. A troca de números e argumentos vai continuando na ordem do dia.
Semana Cultural diversificada
animou estudantes do ISAVE
Um concurso de fotografia, artesãos a trabalhar ao vivo, palestras, demonstrações de actividades desportivas, feira do livro e uma feira da ladra foram algumas das actividades presentes na 1.ª Semana Cultural do ISAVE, realizada de 1 a 4 de Março, numa organização da Associação de Estudantes, que contou com a colaboração do ISAVE. A prevenção da doença e a promoção da saúde esteve em foco a longo das várias actividades que integraram a semana cultural. No dia 3 de Março, e no âmbito da Semana Cultural, aquela unidade de ensino contou com a presença da nutricionista Sandra Gomes, que abordou o tema “Azeite e prevenção do cancro”. “Mais de 50% dos cancros poderiam ser prevenidos”, alertou a nutricionista que não deixou de evidenciar que alguns tipos de cancro estão relacionados com factores alimentares. “A alta ingestão de gorduras aumenta ligeiramente o aparecimento do cancro da mama”, destacou, revelando ainda que “a população portuguesa consome três vezes mais quantidade de gordura e de carne do que o necessário, ao passo que o consumo de legumes, frutas e leguminosas é consumido em menor quantidade do que a recomendada”. No tocante ao azeite, aquela responsável destacou que se trata da gordura de eleição na alimentação mediterrânea. Salientando que o azeite é rico, entre outros nutrientes, em vitamina E e ácidos gordos monoinsaturados, Sandra Gomes destacou que certos estudos aponta que o consumo de azeite virgem extra está associado a uma menor incidência do cancro, nomeadamente da mama, do cólon e do recto, do trato digestivo e dos ovários. Um assunto ainda em estudo e ainda muito especulativo é a possibilidade dos componentes do azeite poderem moderar os efeitos secundários das substâncias clássicas aplicadas na quimioterapia. O efeito anti-bacteriano do azeite pode estar associado a uma menor incidência do cancro do estômago, tal como revelou a nutricionista Sandra Gomes...
Quadro do Pessoal e Plano de Actividades foram pontos fortes da Assembleia
A análise e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2010 foi um dos pontos debatidos na última Assembleia Municipal, realizada nos dias 26 de Fevereiro e 1 de Março. Para além deste, foi ainda trazido a debate a análise da actividade do município e sua situação financeira, o Mapa de Pessoal do Município da Póvoa de Lanhoso para vigorar no ano de 2010, a votação da Proposta de Regulamento Municipal de Taxas e outras receitas, a proposta de fixação da Taxa Municipal de Direitos de Passagem, o pedido para a contratação de empréstimo para pagamento da obra das instalações mecânicas de tratamento do ar, ambiente e aquecimento de águas sanitárias do Centro Educativo António Lopes e o pedido de autorização para a contratação de empréstimo para garantir o pagamento da comparticipação do Município na empreitada do Centro Educativo do Cávado. Com sete pontos na ordem de trabalhos, a última Assembleia Municipal da Póvoa de Lanhoso teve o seu início no dia 26 de Fevereiro mas, devido ao adiantar da hora, e uma vez que aquela situação já tinha sido prevista, foi interrompida e os trabalhos tiveram a sua conclusão no dia 1 de Março. Os trabalhos iniciaram-se com um minuto de silêncio pelas vítimas da tempestade na Madeira, tendo ainda sido apresentada um moção de solidariedade, pelas bancadas do PS e PSD, e subscrita pela Câmara Municipal, a enviar ao Governo Regional da Madeira. Antes de se partir para a ordem de trabalhos, teve lugar o período antes da ordem do dia. António Carvalho, líder da bancada do PS, entre outros assuntos, questionou a Câmara Municipal quanto ao aterro sanitário, uma vez que, segundo o próprio, o prazo limite de funcionamento do aterro sanitário é o final de 2010. O protocolo assinado, no anterior mandato, entre a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia veio novamente ao debate, com o assunto a ser trazido a público por Paulo Gago, presidente da Junta de Freguesia de Oliveira que, entre outras considerações, apelou ao bom-senso da Câmara Municipal e frisou que “são as freguesias e as pessoas das freguesias que saem prejudicadas”. “A sua concretização trará mais desenvolvimento e harmonia ao concelho”, disse aquele elemento do PS. Em resposta à intervenção do deputado socialista, Manuel Baptista, presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, assegurou que o protocolo vai ser cumprido. “Para mim o mais importante são as pessoas... Vamos começar a pagar. É uma promessa minha”. O presidente da Câmara Municipal deu ainda conta do estado de algumas obras nas freguesias e deu conta da realização de reuniões com os presidentes de Junta do concelho. Depois de dada a conhecer a situação económica-financeira do município e as obras e iniciativas realizadas desde a última Assembleia Municipal, Nuno Aguilar, líder da bancada social-democrata mostrou-se satisfeito com o trabalho desenvolvido pelo executivo. Destacando o atraso nas transferências de verbas de fundos comunitárias, cujos valores atingem mais de 1 milhão de euros, aquele responsável realçou o trabalho desenvolvido pelo executivo. “Mesmo com a dificuldade de verbas, o município conseguiu fazer algumas obras de primeira necessidade, nas infraestruturas de algumas freguesias”, disse Nuno Aguilar, deixando um voto de louvor ao trabalho desenvolvido pelo executivo. Ao contrário de Nuno Aguilar, António Carvalho, da bancada PS, considerou que “as realizações são poucas, salvaguardando o plano cultural, em que há um trabalho constante que parece aceitável e talvez meritório”. Na apresentação do plano e orçamento para 2010, entre outras considerações, Manuel Baptista salientou que “aquele plano é o que melhor serve os interesses do concelho” e vincou que “2010 será o ano para a consolidação das contas da autarquia”...

entrevista a José Paulo Macedo, Presidente da Junta de S. João de Rei


“Anterior executivo fez uma gestão desnorteada e de interesse particular”
José Paulo Castro Macedo é, desde Outubro de 2009, o novo presidente da Junta de Freguesia de S. João de Rei. Assumindo que é preciso “arrumar a casa” e dando conta das várias carências que a freguesia apresenta, o novo presidente de Junta mostra-se confiante em levar em frente o projecto apresentado aos habitantes da sua freguesia. Tal como na maioria das freguesias do concelho, a rede viária continua a ser uma preocupação.

Maria da Fonte - Depois de concorrer em 2005, voltou, em 2009, a apostar na candidatura à Junta de Freguesia de S. João de Rei. O que o levou a candidatar- -se?
Paulo Macedo - O que me levou a candidatar-me foi, fundamentalmente, o querer e o acreditar que poderia contribuir para o desenvolvimento de São João de Rei. Para isso, em primeiro lugar, tive o apoio e a confiança da Comissão Política do PSD e do presidente da Câmara Municipal. Em segundo lugar, e o mais importante, foi conseguir reunir uma equipa competente, heterogénea e representativa de todos os lugares da freguesia. Outro motivo que me levou a candidatar-me foi o constatar que a minha freguesia não se fazia representar ao mais alto nível nas Assembleias Municipais, nas cerimónias concelhias e nos actos públicos. Estávamos órfãos.

MF - Como está a ser esta experiência e que balanço traça destes primeiros me-ses como presidente da Junta?
PM - Está a ser uma experiência nova, com muito trabalho, mas mesmo tempo entusiasmante e enriquecedora. Muito trabalho, porque está praticamente tudo por fazer, nomeadamente ao nível da organização administrativa, da logística, pois a Junta de Freguesia não possuía qualquer peça de ferramenta, a rede de água estava com graves problemas, parte significativa da rede viária em mau estado, o património edificado da freguesia abandonado, a iluminação da rede pública deficitária, falta de limpeza dos caminhos, entre outros aspectos. Para resolver todos estes problemas, tenho a felicidade de poder contar, na junta, com ajuda de duas pessoas competentes e empenhadas, nomeadamente a Professora Conceição e o senhor Plácido. Entusiasmante e enriquecedora porque é gratificante ver a satisfação das pessoas quando conseguimos resolver os problemas da freguesia.

MF - No se manifesto eleitoral deu a entender que a freguesia estava parada e sem rumo. Foi isso o que encontrou quando assumiu a presidência?
PM - Infelizmente foi. São João de Rei regrediu doze anos. O anterior executivo fez uma gestão desnorteada e de interesse particular e hoje estamos reféns dos erros do passado. Por causa dessa gestão danosa estamos a pagar as dívidas contraídas. A Junta de Freguesia, financeiramente, é muito limitada. Depende da administração central e sobretudo da Câmara Municipal. Por isso, enquanto não resolvermos esta questão das dívidas é muito difícil fazer obra neste primeiro ano de mandato. Temos de arrumar a casa...

“A Junta está condicionada financeiramente durante este ano”
MF - Referiram também que já possuíam projecto para a capela mortuária. Como está esse projecto?
PM - É verdade, a Junta de Freguesia tem um projecto para a capela mortuária que engloba, também, a antiga escola. Neste momento temos o processo pronto para, se for caso disso, apresentar uma candidatura aos fundos comunitários no âmbito do PRODER na próxima abertura do concurso. Também, no âmbito do PRODER, a Junta de Freguesia está a aguardar o deferimento de uma candidatura apresentada para a requalificação de um caminho agrícola que, caso seja aprovada, será uma obra de extrema importância para a freguesia.

MF - Qual a cobertura da freguesia em termos de água e saneamento?
PM - Em São João de Rei não há rede de saneamento básico e, com sinceridade, não sei quando teremos o saneamento básico na freguesia. A rede de água pública existente é da Junta de Freguesia e, para além de servir a rede de fontanários e tanques públicos, abastece praticamente todas as habitações da freguesia. Para além da rede existente, a freguesia dispõe de dois ramais secos, executados pela Câmara Municipal, à espera de ligação à rede municipal, nos lugares de Requeixo, Paço e Cancelos.

MF - Uma dos aspectos focados no vosso manifesto prende-se com o trazer de volta o pelourinho da freguesia. Vão conseguir concretizar este vosso anseio?
PM - O património é uma das preocupações desta Junta de Freguesia e é também um assunto muito caro para mim. É a nossa identidade, a nossa história. Tenho trabalhado sobre o caso do pelourinho e sei que é uma matéria muito sensível. Mas é melhor deixar este assunto para outra oportunidade quando tiver mais dados concretos. São João de Rei já foi sede de concelho e teve dois forais. O Foral Velho de 1228 e o Foral de 1514. Na freguesia não existe nenhuma referência física ao antigo concelho. Apenas existem dados bibliográficos e documentos da época. Por isso, é propósito desta Junta de Freguesia dar o devido destaque a São João de Rei na história do concelho da Póvoa de Lanhoso...

VI Festival Nacional de Teatro de Amadores chegou ao fim










Ruy de Carvalho entregou
o prémio à produção vencedora
A peça “Crime da Aldeia Velha”, do Grupo Mérito Dramático Avintense foi a produção vencedora do VI Festival Nacional de Teatro de Amadores, cuja cerimónia de encerramento decorreu no dia 27 de Fevereiro. Ruy de Carvalho, conceituado actor português, marcou presença na Póvoa de Lanhoso para entregar o prémio “Ruy de Carvalho” à produção vencedora. No decurso da cerimónia, Fátima Moreira, vereadora da Cultura manifestou o seu orgulho pela presença de Ruy de Carvalho e congratulou-se com os resultados obtidos ao longo das últimas edições do Festival Nacional de Teatro de Amadores. “A Póvoa de Lanhoso orgulha-se de ser uma vila onde o teatro tem assumido um destaque primordial”, disse Fátima Moreira. No decorrer da cerimónia de encerramento, a ACJP – Associação Cultural da Juventude Povoense foi distinguida com o Prémio Prestígio/personalidade, com Patrícia Pereira e Rui Rebelo, actual e primeiro presidente da associação, respectivamente, a receber o prémio. “Todos cabem no meu coração e o meu agradecimento não tem limite”, disse Ruy de Carvalho na sua intervenção, que conta com 64 anos dedicados ao mundo da representação. Mostrando uma grande admiração pelos actores e grupos amadores, aquele conceituado actor não deixou de agradecer às instituições que possibilitaram a realização do Festival de Teatro...

De 13 a 21 de Março

Festas de S. José inauguram
grandes romarias no Minho
É já no próximo sábado, dia 13 de Março, que a vila da Póvoa de Lanhoso recebe as primeiras iniciativas das Festas de S. José, naquela que é considerada a primeira Romaria do Minho, e que decorre de 13 a 21 de Março. A apresentação do programa das festas decorreu, no dia 9 de Março, na Casa da Botica, na Póvoa de Lanhoso, numa cerimónia que contou com a presença dos elementos do executivo municipal e dos responsáveis das associações concelhias, parceiras nas várias actividades que integram o cartaz das Festas de S. José. Numa festa onde o religioso e o profano se cruzam e a tradição se alia à modernidade, o cartaz das festas de S. José afirma-se, segundo a vereadora da Cultura, Fátima Moreira, como o maior cartaz turístico da P. Lanhoso. Num programa feito quase em exclusivo pela “prata da casa”, a vereadora da Cultura assume este como “um programa feito pelos povoenses, para os povoenses e todos aqueles que nos visitam”. O Heart Parade, uma exposição de trabalhos feitos pelos alunos e utentes das IPSS's concelhias, a exposição alusiva aos 300 anos do Lausperene na Arquidiocese de Braga e “Póvoa em Poesia serve-se ao café” serão algumas das novidades apresentadas para este ano. A noite que antecede o feriado municipal, dia 19 de Março, será preenchida com o espectáculo teatral “Vira Vida”, numa produção do Centro de Criatividade da P. Lanhoso. No decurso da apresentação das festas, Manuel Baptista, salientou que “este executivo tem tido a preocupação de envolver as associações. Usar a “prata da casa” é um lema que tem tido sucesso porque as festas são para toda a gente, mas principalmente para os povoenses”. “Estamos a promover o concelho, aquilo que melhor sabemos fazer, o turismo e a própria região em si”, disse Manuel Baptista. O bom tempo é considerado por todos como um factor essencial para o sucesso das Festas de S. José. As festas deste ano têm um custo de cerca de 75 mil euros, uma verba inferior à verba gasta no ano transacto...
Novidades
O Largo António Lopes, na Póvoa de Lanhoso recebe, no dia 18 de Março (quinta-feira), pelas 16 horas, uma exposição de mais 30 trabalhos realizados pelas escolas e IPSS's do concelho, numa iniciativa denominada “Heart Parade”. Aos participantes foi entregue uma estrutura com 1,5 metros, em forma de coração, a qual foi será decorada com motivos de filigrana, recorrendo a materiais recicláveis, numa aliança da sensibilização ambiental com a tradição secular da arte da filigrana...

Uma povoense interplanetária


Natividade é de arromba
nos concertos de Canário
É uma das cantoras sempre presente nos concertos e espectáculos do popular Augusto Canário que actuou no sábado passado no repleto Pavilhão Multiusos em Guimarães onde se iniciou a tournée deste ano. No entanto, poucos sabem que ela é da Póvoa de Lanhoso. Foi um espectáculo perfeito da música popular, com a participação, entre outros, do grupo de bombos da Casa dos Rapazes de Viana do Castelo (que vai actuar em Xangai brevemente), e abriu com 25 concertinas em coro, para além do Rancho da Corredoura, de Ponte de Lima. Neste espectáculo e em toda a tournée vai dar nas vistas a agradável presença e voz de Natividade Vieira, a voz feminina que acompanha Augusto Canário nas desgarradas dos seus concertos. Artisticamente, o seu nome é Naty. Augusto Canário e Naty deram início à tournée deste ano na cidade-berço mas vão passar nos próximos meses por festas e concertos em Braga, Fafe, Felgueiras, Vila Verde e Amares, entre outras localidades minhotas. Em Maio, sairá um disco com novos temas, revelou Canário na conversa que manteve com os ouvintes da rádio Antena Minho, antes do espectáculo de Guimarães, para além de novos duetos com Jorge Ferreira. Augusto Canário e Naty deliciam os seus fãs e ouvintes com canções mais sérias a equilibrar com outras mais brejeiras porque “é isso que nos faz diferentes, como é o caso da canção ‘Celebrar amizade’”...

FUTEBOL - III Divisão - Série A

Derrota pesada na casa do último
A deslocação ao terreno do Morais, o último classificado da Série A, não correu bem ao Maria da Fonte. Aparentemente, este jogo poderia considerar-se um jogo fácil para os marifontistas mas não foi isso que aconteceu, com os homens de Artur Correia a regressar à Póvoa de Lanhoso com uma pesada derrota. A formação do Maria da Fonte foi a primeira a chegar ao golo, por intermédio de Diogo, quando apenas estavam cumpridos 9 minutos de jogo. A resposta dos homens do Morais apareceu perto do minuto 24, com Rui a estabelecer a igualdade. À passagem da meia hora de jogo, o Maria ficou em desvantagem, com Paulo Arrábi-das a colocar o Morais na frente do marcador. Seis minutos depois, foi a vez de Rui voltar a marcar e a dar o terceiro golo aos homens da casa, com o Maria da Fonte a sair para o intervalo a perder por 3-1. No segundo tempo, o Morais dilatou ainda a vantagem com Rui e Alex a dar o 4.º e o 5.º golo à formação da casa. O segundo golo da turma marifontista pertenceu a Rui Lima, numa jogada em que o atleta do Maria e não desistir e a reduzir a desvantagem. No final do jogo, e em declarações à comunicação social local, Artur Correia, treinador do Maria da Fonte, considerou que “este foi um jogo atípico, que normalmente não acontece” . “Abrimos muito bem o jogo, ti-vemos a oportunidade de fazer o segundo golo mas não tivemos eficácia. Depois, houve uma reacção muito positiva do Morais”, disse o técnico do Maria da Fonte...
Rallye Torrié regressou
às ruas da Póvoa de Lanhoso
Bernardo Sousa, na sua estreia ao volante do Ford Fiesta S 2000, foi o grande vencedor do Rallye Torrié, que se disputou nos dias 5 e 6 de Março (sexta-feira e sábado), naquele que foi o arranque do campeonato nacional de ralis, numa organização do Targa Clube, que contou com os apoios das câmaras municipais da P. Lanhoso e Vieira Minho. A prova deste ano abandonou os troços em terra e as doze provas especiais que integraram esta primeira etapa do campeonato nacional de ralis disputaram-se no asfalto. As estradas de algumas freguesias do concelho, como Póvoa de Lanhoso, Ajude, Friande, Verim, Oliveira e Serzedelo receberam os pilotos desta competição, que não deixaram o crédito por mãos alheias e proporcionaram momentos emocionantes ao público presente. A partida desta competição contou com a presença de 35 pilotos que disputaram, ao cronómetro, a vitória no Rallye Torrié. Tal como vem acontecendo desde o início, a competição iniciou-se com a super-especial “Póvoa de Lanhoso – Terra do Ouro”, no centro da vila. Apesar do frio sentido naquela noite, a vila da Póvoa de Lanhoso recebeu milhares de pessoas, que não quiseram perder a oportunidade de ver as “máquinas” em acção. No dia seguinte, pelas 10 horas, pilotos e máquinas regressaram à competição, para a disputa das onze provas especiais, que se repartiram pelos concelhos de Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso. A edição deste ano do Rallye Torrié encerrou com a realização da super-especial “Póvoa de Lanhoso – Maria da Fonte”, no Parque Industrial de Mirão, que deliciou o público presente. O vencedor da edição deste ano, e desta prova de arran-que, o piloto madeirense Bernardo Sousa, manteve-se na liderança da classificação geral, com excepção do final da quinta classificativa. O pódio deste Rallye Torrié foi repartido com Vítor Pascoal (2.º classificado) e Ricardo Moura (3,º classificado), com este último a vencer também o grupo N.

Cem anos de República (3)


Grito de Ipiranga arrefece ideal liberal e republicano
E xplicamos na crónica anterior que a implantação do regime republicano, há cem anos, começou com as invasões francesas que fizeram sangrar o Minho há 200 anos e semearam o terror, destruição e custaram milhares de vidas no Minho. Apontamos algumas razões que explicam a lentidão da implantação dos ideais franceses em Portugal, cuja primeira tentativa aconteceu em 1820. Em 24 de Agosto de 1820, como eco da revolução liberal espanhola, aproveitando uma ida de Beresford ao Brasil para trazer de lá dinheiro para pagar as despesas militares, o país parecia não ter emenda, depois do desastre dez anos antes...
ESTRAGOS IRREPARÁVEIS
Pode dizer-se, à distância, que foi uma revoluçãozinha com estragos irreparáveis que não agradou nem a gregos nem a troianos, mantendo-se as mesmas ordens, os mesmos lugares, os mesmos ofícios, a magistratura e o livre exercício da autoridade que se acha depositado nas suas mãos. Acrescentou-se apenas a possibilidade de "ninguém ser incomodado pelas suas opiniões ou conduta passada e as medidas para evitar tumultos e a satisfação de ódios ou vinganças particulares" — como decretava a Junta provincial do Reino, naquele dia 24 de Agosto de 1820. Esta revoluçãozinha não respondeu a três questões nacionais: "que ideias baseavam o pensamento dos homens que lideraram esta revolução? Como se integra na conjuntura nacional e internacional do momento? e Que transformações, a curto, a médio e longo prazo vai impor ao país?." A 15 de Setembro, os liberais de Lisboa revoltam-se e expulsam os regentes com o objectivo de organizar eleições para as Cortes que são mandatadas a elaborar a nova Constituição do reino. Os Liberais exigem o regresso do rei D. João VI com a condição de prestar juramento à nova Constituição e o fim imediato do domínio inglês. Os liberais assumiam-se como um movimento vincadamente nacionalista mas o rei D. João VI, não tinha qualquer noção da portugalidade, porque tinha ido em criança para o Brasil e dava-se bem por lá. Ele assumira o trono em 1816, com a morte de D. Maria I, mas deixara-se ficar no Brasil, apesar das tropas francesas há muito terem deixado Portugal. Conciliar o antigo com o novo — a velha monarquia com ideais constitucionais — foi o desafio nunca conseguido pelos liberais, porque também não conseguiram a adesão do povo à revolução. Este gostava muito mais do popular D. Miguel e a revolução deu um fruto: a criação do Sinédrio, um conjunto de magistrados, negociantes, proprietários e militares. São eles quem fazem uma constituição que D. João VI aprova em 1822 mesmo reduzindo-lhe os poderes separados agora em Judicial, legislativo e executivo. A Europa olhava para a revolução de 1820 como "democrática e perigosamente progressista" e Joel Serrão descreve de forma brilhante como "os países da Santa Aliança tentaram travar a revolução, recorrendo ao bloqueio comercial, à recusa de passaportes para portugueses e à intervenção militar apoiando os contra-revolucionários"...