Franceses nas terras de Lanhoso há 200 anos (19)

O irlandês que perseguiu Soult
até a sua aniquilação

Qnuando se encontrava no cativeiro na ilha de Santa Helena, Napoleão, nas suas memórias, escreveu que "a Guerra peninsular perdeu-me. Destruiu a minha moralidade, complicou os meus embaraços e abriu uma escola para os soldados ingleses".
Anteriormente, falamos de três valentes portugueses que dominaram as segunda invasão de Soult que quis tomar Portugal entrando pelo Minho, em direcção ao Porto: Freire de Andrade, assassinado em Braga, Silveira de Brito, grande responsável pela derrota de Soult e o eng. Vilas Boas. O trabalho sobre a Invasão francesa que devastou as terras de Lanhoso, antes da batalha de Braga, e na retirada, até Misarela, ficava incompleto se não falássemos de três estrangeiros: o marechal Soult, o tenente-general irlandês Wellesley e o seu compatriota Beresford que comandou os portugueses por terras de Lanhoso e Braga.
Se é certo que os militares franceses não contavam com a força da resistência do povo, também é verdade que a Inglaterra enviou para Portugal um punhado de oficiais, alguns dos quais perderam a vida aqui, que ajudaram a libertar o país e se cobriram de glória em todas as campanhas levadas a cabo no Minho e no resto do país.
Acima de todos, brilha com grande luminosidade o duque de Wellington, hoje considerado como um dos maiores chefes militares de sempre. Ele foi o chefe que soube conduzir, em condições muito difíceis e em completo isolamento, sempre doloroso, os exércitos aliados ao triunfo. É a ele que Napoleão dedica as palavras com que ini-ciamos esta crónica.
O tenente-general Artur Wellesley, nasceu em Dublin, a 1 de Maio de 1769.
Depois de estudar em França, iniciou a sua carreira militar com a batalha da Flandres e foi ferido na Índia, onde se tornou um militar exímio e um organizador ponderado e eficiente.
Em 1808 já se opusera com glória a Junot, nas batalhas da Roliça e Vimeiro. Volta a Portugal, um ano depois, para expulsar Soult da cidade do Porto, através de uma manobra bem concebida e bem coordenada com o comandante do exército português Beresford.
No ano seguinte é ele quem obriga Massena a deixar Portugal, derrotando-o no Buçaco. Vencidos os franceses em Portugal, em três anos consecutivos, Wellesley persegue os franceses em território espanhol, ao ponto das Cortes espanholas o nomearem Generalíssimo. Em 1813 perse-guiu as tropas de Napoleão até ao território gaulês, chegando à cidade de Toulouse.
Com a destituição de Napoleão, regressa a Londres onde é triunfalmente recebido e agraciado com o título de Duque de Wellington, mas faltava-lhe vencer o próprio Napoleão e esse triunfo aconteceu na última e decisiva batalha de Waterloo, sendo nomeado comandante supremo das forças de ocupação de França.
Os documentos que nos deixou mostram-nos um chefe militar sóbrio, perseverante, intransigente na disciplina e prudente nas decisões, características que lhe valeram o cognome de "Duque de Ferro".
De facto, ele não captava a simpatia dos seus soldados que, na manhã de uma batalha diziam que "a presença da sua figura imponente valia por muitos homens". Os soldados respeitavam-no mais do que o amavam, por causa dos insultos que dirigia às vezes aos súbditos.
Centralizador, sem dar iniciativa aos seus subordinados, Wellesley era brilhante na táctica e eficaz na estratégia contrariando a afirmação de Napoleão segundo a qual "a sorte fez mais por ele do que ele fez pela sorte".

DUPLA COM BERESFORD

Sabia fazer retiradas quando lhe parecia perigoso não o fazer (como em Talavera ou Madrid), porque gostava de atacar com eficácia (como na Roliça e Vimieiro) e ser arrasador como foi em Vitória aproveitando as falhas do adversário, como sucedeu em Salamanca.
A perseguição a Soult no fim da segunda invasão — pelo Minho — até aos Pirinéus revelam-nos um general confiante e determinado até à aniquilação total do inimigo em fuga e a sua rendição.
Adepto incondicional da formação em linha, Wellesley teve no Marechal Beresford um dos seus mais eloquentes colaboradores, apesar da derrota em Braga, na Serra do Carvalho.
Sobre este irlandês, William Beresford, escreveremos na próxima crónica.

Minhotos derrotaram
príncipe da estratégia

Anteriormente, falamos de três valentes portugueses que dominaram as segunda invasão de Soult que quis tomar Portugal entrando pelo Minho, em direcção ao Porto: Freire de Andrade, assassinado em Braga, Silveira de Brito, grande responsável pela derrota de Soult e o eng. Vilas Boas. O trabalho sobre a Invasão francesa que devastou as terras de Lanhoso, antes da batalha de Braga, e na retirada, até Misarela, ficava incompleto se não falássemos de dois estrangeiros: o marechal Soult e o general inglês Wellesley.
Falemos hoje do marechal francês que alguns bracarenses chegaram a aclamar com príncipe de Portugal: Jean de Dieu Soult, duque da Dalmácia (1769-1851). Nasceu no mesmo ano que o seu Imperador Napoleão Bonaparte, tendo-se alistado em 1786, passando por todos os postos inferiores até achegar a capitão, em 1793.
No ano seguinte consegue ser graduado em comandante de batalhão, coronel e General de brigada, ao colaborar de forma notável na conquista da Bélgica.
General de divisão em 1799, pelos seus feitos no cerco de Luxemburgo, Soult inicia uma colecção fantástica de sucessos militares, ao ponto de Bonaparte, fracassada a primeira invasão, perceber que ele era o único capaz de anexar este rectângulo da Península Ibérica.
Por isso, é enviado para a campanha de Itália, em 1804, acabando por ser um dos 44 elevados a categoria de Marechal. No ano seguinte já comandava o quarto corpo do Grande Exército de Napoleão, quando fez capitular Memmington e está na base da batalha de Austerlitz, antes de ter uma acção gloriosa durante a campanha da Prússia, em Iena e Eylau, nos anos seguintes.
Após o desaire de Junot, na primeira invasão, reforçada com a revolta dos espanhóis, torna-se parceiro de Napoleão no comando do segundo corpo, impondo-se notavelmente ao conquistar a cidade de Burgos e ocupar a Corunha, depois de perseguir o exército inglês, obrigado a retirar-se em condições trágicas em Janeiro de 1809.
Era o militar com todos os pergaminhos capazes de invadir com sucesso o pequeno reino e entra em Portugal a 7 de Março de 1809, chegando ao Porto 20 dias depois, deixando no caminho entre Chaves, Braga e a Cidade Invicta um rasto de destruição e morte.

Tão competente como vaidoso
A sua competência militar rivalizava com a sua vaidade e ambição, copiando o sonho de Junot ao desejar ser rei de Portugal, mas a contra-ofesiva portuguesa, delineada pelos ingleses e apoiada na fortíssima e surpreendente resistência dos povos nortenhos obrigaram-no a retirar do Porto em Maio de 1809.
Mesmo na retirada, como já recordamos em crónicas anteriores, ele demonstrou todas as capacidades do seu génio militar, protegendo até à exaustão a vida dos seus homens.
Na retirada para Espanha, por Montalegre, desce depois até Sevilha que conquista naquele ano para aí instalar o seu quartel-general, ocupando toda a Andaluzia, sendo apenas derrotado dois anos depois pelo mesmo general que o afastara no Minho, Beresford, na batalha de Ambuera, uma das mais sangrentas da Guerra Peninsular.
Após a vitória de espanhóis, portugueses e ingleses em Salamanca, no ano 1812, toma conhecimento que Wellington se prepara para conquistar Madrid. Soult sai de Sevilha e com outros corpos franceses força á retirada dos portugueses e ingleses.
Depois da ofensiva vitoriosa dos portugueses e ingleses em Vitória, no ano 1813, Napoleão atribui-lhe o comando de todo os exército francês na Península Ibérica, com o qual encetou uma retirada notável, tendo ainda tentado defender a cidade gaulesa de Toulouse.

Soult mostrou, em circunstâncias difícílimas, ser um militar de eleição, ao ponto de Napoleão o considerar o "primeiro estratega da Europa".
Só descansou quando os Bourbons chegaram ao poder em França e lhe confiaram o comando do 13.º Exército, combatendo ao lado do Rei contra Napoleão na batalha de Waterloo, ascendendo depois a Ministro da Guerra, em 1830.
Era tão elevado o seu talento que os próprios ingleses — que tantas vezes o derrotaram na Península — o homenagearam, sendo aclamado de forma notável em Londres. Possui a mais alta distinção militar do, Marechal-General de França, atribuída apenas a mais três militares até então, em 1847.
Soult morreu em 21 de Abril de 1851, desaparecendo assim, provavelmente, um dos melhores marechais do grande imperador Napoleão. O seu perfil, a sua capacidade e o seu génio valorizam muito mais a resistência minhota na segunda invasão.
Soult é uma figura de primeiro plano, vindo a desempenhar papéis políticos de relevância posteriormente, e foi o único dos três que invadiram Portugal que escreveu um testemunho na primeira pessoa.
Soult não escreve coisas desagradáveis sobre os portugueses e foi o único" dos três líderes militares que invadiram Portugal "que sobreviveu ao regime de Napoleão Bonaparte, tendo sido ministro da Guerra e Primeiro-Ministro.

Engenheiro de portos
assassinado em Braga


Todas as guerras têm os seus heróis e vítimas. Depois de darmos a conhecer o grande General Silveira e Bernardim Freire de Andrade, é justo lembrarmos hoje outro português que morreu às mãos dos bracarenses.
A barbárie, porém, não era um exclusivo gaulês. A populaça em fúria, antes da Bata-lha de Braga, que aniquilou três dos nossos compatriotas, instigados no boato prontamente desfeito de que eram traidores. A primeira vítima da turba seria o comandante em chefe das forças do Minho, General Bernardim Freire de Andrade que foi linchado na véspera do dia 18, onde hoje é a Praça da República (à Arcada). Seguiu-se o engenheiro militar Custódio Vilas Boas, iminente cartógrafo e autor do quimérico projecto de navegabilidade do Cávado até ao Vau do Bico, que foi arrastado do Mosteiro de Tibães até à cidade onde foi executado.
Portanto, a Câmara de Braga ao atribuir o nome de Custódio Vilas Boas, junto à Central de Camionagem, dando acesso à av. Norton de Matos, a uma artéria, homenageou um minhoto distinto que contribuiu para o engrandecimento e economia, não só do Minho, mas também da cidade de Braga.
Por fim, quando a multidão se preparava para abandonar a cidade, ainda teve tempo de eliminar o corregedor dr. Bernardo José Passos, no local onde hoje é a rua dos Capelistas.
No planalto da Serra do Carvalho, comandava a defesa do norte do País, o General Bernardim Freire de Andrade que tinha como seu Quartel Mestre, o capitão Custódio José Gomes de Vilas Boas, mais tarde, segundo o seu assento de óbito, tenente-coronel. Com tão escassos meios a opor ao invasor, dotado de escolhidos e experimentados soldados, com poder de ofensiva ainda bastante forte, apesar de toda a vontade de repelir as tropas francesas, oferecendo alguma resistência, traduzido pelo desnivelado combate, o General Freire de Andrade, face à desvantagem das forças que comandava, retirou para Braga, onde poderia melhor estabelecer a defesa da cidade. Esta estratégica retirada, não foi bem vista pelo povoléu, que amotinado julgou Freire de Andrade, como jacobino e francesismo, pois tinha o labéu de ter tomado parte na famosa Legião Portuguesa, incorporada à força no exército francês, aquando da Primeira Invasão comandada por Junot. O seu Quartel Mestre, Custódio José Gomes de Vilas Boas, apanhou por tabela essa desonra. A fúria do povo, descarregou sobre essas duas notáveis figuras de portugueses, a sua raiva. Um e outro pagaram, com a vida, o seu patriótico exemplo. Primeiro, em 17 de Março, é assassinado Bernardim Freire. Luís Costa, num dos seus artigos socorre-se do livro de óbitos de São Lázaro: “Aos dezassete dias do mês de Março de mil oitocentos e nove faleceo com todos os sac. digo faleceo por-que o matarão em o Campo de Santa Ana com tiros o General em chefe Bernardim Freire seo corpo foi posto em hum Caixão e sepultado em esta Parochia de São José e athé ao Prezente nada teve de sufrágio”.
Em consequência do avanço das tropas napoleónicas, avanço que, na região atribuíam a traição dos chefes militares portugueses, temendo pela sua segurança, Vilas Boas, refugia-se no Convento de Tibães, tendo ali sido procurado pela enraivecida, turbulenta e desorientada turba. Trazido para Braga, é assassinado, também a tiro, no Campo de Santa Ana, no dia seguinte ao da morte de Freire de Andrade, 18 do mês de Março de 1809. Por seu lado, Bernardino Amândio, na obra “O Engenheiro Custódio José Gomes de Vilas Boas”, afirma que, “apesar de ter desaparecido com Vilas Boas, o notável Engenheiro Militar e hidráulico, a figura culta e profunda que se surpreende nas obras e escritos que nos legou o Livro de Óbitos de São Lázaro apenas se limita a acrescentar a causa da sua morte, em “o dia de guerra” e o local da sua sepultura ‘na paróquia de S. José, sem nada ter por sua Alma ’. Arnaldo Gama, na obra “O Sargento Mor de Vilar” sustenta que “Custódio José Gomes de Vilas Boas, Quartel Mestre General, era oficial de engenharia, homem inteligente e de muito saber, Foi o primeiro engenheiro a quem se incumbiu a canalização do Cávado, assunto sobre que deixou escritas algumas memórias… Gozava de toda a confiança e amizade de Bernardim Freire, a quem tinha auxiliado valiosamente com o seu saber e com a sua energia na organização da defesa do rio Minho. Desde longa data que os comerciantes, marítimos, agricultores e industriais do vale do Cávado (Baixo Minho e até Trás-os- -Montes) vinham reclamando junto dos poderes públicos o aproveitamento da foz do rio, em Esposende, para se formar ali um porto de mar, ao mesmo tempo que achavam que seria de toda a conveniência, para desenvolvimento e escoamento dos produtos daquelas regiões que fosse encanado o rio. No ano de 1795, a Rainha Dona Maria I, “compreendeu o alarme da gente de Esposende e deve-se o primeiro estudo sério e talvez único até aos nossos dias. Por Alvará de 20 de Fevereiro de 1795, aprovou o plano de obras de canalização e navegação do rio Cávado, desde a sua foz até ao Vau do Bico, na confluência dos rios Cávado e Homem”. No entanto só no dealbar do século XIX, é que o antigo desejo dos povos do Baixo Minho principiou a tomar verdadeiras providências para se vir a concretizar tão audacioso projecto, com a entrega da direcção, projecto e demais necessárias acções, ao Capitão de Engenharia, Custódio Vilas Boas. Do projecto fazia parte a construção do porto para entrar na barra de Esposende e na Enseada dos Cavalos de Fão.
Vilas Boas chegou a dar início as obras, mas o estado de guerra em que o País se viu envolvido, fez com que elas fossem interrompidas e jamais voltando a ser retomadas. Para isso contribuiu o desaparecimento inglório do Engenheiro Director.

General que bracarenses
mataram pelas suas mãos

Todas as guerras têm os seus heróis e vítimas. Depois de darmos a conhecer o grande General Silveira, cuja estratégia contribuiu para a derrota e fuga de um dos maiores exércitos europeus, é justo lembrarmos hoje outro militar português que morreu às mãos dos bracarenses.
O General Freire de Andrada regressou ao cargo de governador militar do Porto, em 1809 e recebe a missão de defesa do Minho, já na 2ª invasão francesa, tendo a regência indicado quais os lugares que deveria defender. Tal não foi possível devido à rapidez do avanço inimigo e à continua escassez de homens treinados e de armas, mesmo assim consegue impedir a passagem de Soult por Caminha, não impedindo todavia a invasão de Trás os Montes.
Tentou ainda, em diversos reconhecimentos entre Braga e Ruivães, escolher um local adequado onde pudesse montar uma linha de defesa, depara-se com imensas dificuldades, que começavam na indisciplina que ainda reinava no seu exército e decide então a retirada para o Porto. Os seus homens extremamente permeáveis às influências dos habitantes da zona, são levados a crer que ele estava a abrir o caminho para os franceses e prendem-no.
Ainda conseguiu salvar-se de uma primeira situação complicada, pela mão de António Bernardo da Silva, comandante de ordenanças, que travou os ímpetos dos que acusavam Bernardim de colaboracionista e de ter entregue o país aos franceses, mas mais à frente nada pôde fazer quando milícias, misturadas com camponeses o quiseram linchar pelos mesmos motivos.
Por mais uma vez valeu-lhe o Barão de Eben, que comandava um regimento sedeado no Porto, e que o queria levar para o seu quartel, o pior é que a pequena escolta que deixou foi insuficiente para conter a população e no dia 18 de Março é assassinado juntamente com o seu quartel mestre general Custódio José Gomes Vilas Boas, em Tebosa, perto de Braga.

PERFIL

Alistou-se no exército e entrou como cadete no Regimento de Infantaria de Peniche, que fazia parte da guarnição de Lisboa, depois de ter frequentado o Colégio dos Nobres.
Em 1782 foi promovido a Alferes na 5.ª companhia do Regimento, companhia onde se manteve até ser promovido a Major. Em 1793 foi com o seu regimento para a Catalunha, integrado na Divisão Auxiliar que ajudou o exército espanhol na guerra contra a República francesa.
Em 1794, durante a campanha, foi promovido a Coronel do seu regimento, tendo sido ferido no ataque à posição de Madalena. Com o fim da campanha, devido à paz de Basileia, entre a Espanha e a França revolucionária, e subsquente regresso a casa foi promovido ao posto de brigadeiro.
Em 1800 foi nomeado governador e capitão-general da capitania de São Paulo, no Brasil. Não embarcou devido aos preparativos de guerra contra a Espanha, o que veio a acontecer em Maio de 1801. Foi nomeado comandante da brigada de granadeiros e caçadores do exército do Alentejo, tendo participado no combate de Arronches, conseguindo salvar as tropas do comando de Carcome Lobo de serem totalmente destruídas.
A seguir à guerra, participou em diversas comissões, no âmbito das reformas do exército postas em prática a partir de 1803. Em 1807 foi promovido a marechal de campo, e nomeado Governa-dor das Armas da região militar, com sede no Porto, conhecida por "Partido do Porto". Cargo que não tomou posse imediatamente devido à ocupação do país pelo exército francês do comando de Junot.
A revolta do Verão de 1808 contra o exército francês, despoletada em Madrid, no célebre dia 2 de Maio de 1808, e que de Espanha se propagou a Portugal, encontrou-o em Coimbra, para onde se tinha retirado em finais de 1807, juntando-se aí ao seu primo direito, D. Miguel Pereira Forjaz, futuro secretário da Regência. Dirigiu-se para o Porto para ocupar o posto para que tinha sido nomeado em 1807, e organizou com D. Miguel, e com as poucas forças e armas que existiam, um pequeno exército, que com o nome de «exército de operações da Estremadura» se dirigiu para Coimbra, onde chegou a 5 de Agosto, tendo apoiado sempre o flanco esquerdo do exército britânico, do comando do general Wellesley, o futuro duque de Wellington.

DECISÕES DIFÍCEIS

As decisões militares e políticas de Bernardim Freire de Andrade, sobretudo a de não juntar a sua força à do exército britânico, são a posteriori controversas, mas ainda hoje difíceis de analisar. A verdade, é que a sua acção em conjunção com a força comandada pelo general Bacelar, teve como consequência o impossibilitar a junção do corpo de tropas do general Loison ao do general Delaborde, o que permitiu aos britânicos só encontrarem as tropas do último na Roliça, e terem tempo, de receber os reforços que irão ser tão necessários para a derrota do exército francês de Junot, no Vimeiro, em 21 de Agosto.
Após a assinatura da Convenção de evacuação do exército francês de Portugal, a que se opôs, regressou ao Porto onde tomou o comando das forças militares do Porto e do Minho, que se preparavam para a defesa de Portugal, e a dar apoio às forças espanholas na expulsão dos franceses de toda a Península.
A verdade é as «Invasões Francesas» fazem parte do imaginário da historia política e militar portuguesa. Quando abordamos o assunto, surge- -nos na memória os nomes dos comandantes invasores, Junot, Soult e Massena, dos generais britânicos Wellesley e Beresford e dos portugueses Francisco da Silveira, Bernar-dim Freire de Andrade e Manuel Sepúlveda. Depois, as batalhas vitoriosas do exército na Roliça, Vimeiro e Buçaco, sem esquecer, a defesa das Linhas de Torres Vedras.

Um grande povo merece
ter um fantástico General

O Grande exército que, em Pratzen, vencera dois Impérios e conquistou "a mais fulgurante e estimável vitória para as águias napoleónicas" — como descreve Carlos Azeredo, veio aqui ao Minho e Norte de Portugal saborear o travo amargo da derrota.
Foi uma humilhante derrota imposta pela tenacidade sem limites, pelo sacrifício sem reservas e pela coragem sem vacilações da humilde gente rural, incentivada pelos padres das aldeias e apoiada por alguns Militares, mostrando ao povo um grande General, Francisco Silveira.
O que restava dos homens e cavalos comandados por Soult estava a salvo, apesar de o General Silveira os ter per-seguido pelo caminho de Montalegre até Padroso e passando junto ao Cabeço de Lamas a mais de 1200 metros de altitude, onde recebeu ordem de Wellesley para regressar, tendo entrado em Montalegre a 19 de Maio a ca-minho de Chaves onde entrou a 20 de Maio de 1809.
Deixando atrás de si um rasto de destruição, sangue e morte, assim acabou a «bela expedição» a Portugal, como se lhe referia o próprio Napoleão nas instruções para a sua execução.

AS PERDAS DE SOULT
O Marechal Soult perdeu mais de um quarto — 27% — dos efectivos com que violou a fronteira para pisar a Terra Lusitana, entrar na Póvoa de Lanhoso, invadir Braga e conquistar o Porto: mortos ou aprisionados foram cerca de 5700 homens, dos quais 2000 perdidos nesta terrível retirada entre Lanhoso, Salamonde e Montalegre.
Vencido sem que se tivesse empenhado em qualquer grande e decisiva batalha, a não ser a da Serra do Carvalho, em Covelas e Carvalho d'Este, Soult viu-se obrigado a destruir a sua artilharia e a largar o produto das pilhagens, numa retirada humilhante e precipitada através de vielas com um exército, descalço e esfarrapado nos seus uniformes, faminto e atirado para um estado moral lastimável!

Um grande militar português
A figura militar do Tenente General Francisco da Silveira que se afirmou nesta II invasão e em batalhas posteriores, continua praticamente afastada das galerias das nossas unidades e as praças das nossas cidades foram bem mais pródigas em estátuas e placas de Generais mais políticos que militares, mas com menos projecção nacional que Silveira, sem dúvida o Militar mais notável do Exército Portugues durante as campanhas da Guerra Peninsular.
Recentemente, foi feita alguma justiça, com a inauguração de um belo monumento em Chaves, na presença do Presidente da República. Mas foi necessário esperar duzentos anos! À boa moda portuguesa.
É que a fantástica vida militar do General Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, não terminou em Chaves no dia 20 de Maio, de 1809, uma vez que prosseguiu no ano seguinte, em Agosto, quando reconquista a vila leonesa de Puebla de Sanábria, ocupada em finais de Julho por tomas francesas que bateram o General espanhol Taboada; após 10 dias de cerco e de combates, o inimigo rendeu-se entregando nas mãos de Silveira 400 prisioneiros, material de guerra e uma insígnia imperial de um Batalhão Suíço.

OUTRAS BATALHAS
Nesse ano, de 1810, desde o início de Setembro até meados de Novembro, bloqueia a praça de Almeida, e mais tarde, a 24 de Novembro, em Valverde, ataca a Divisão Gardanne que obriga a retirar, deixando no terreno mais de 300 mortos.
A 31 de Dezembro Silveira é batido com as suas pequenas forças transmontanas, pelos 8000 homens de uma divisão do 9.º Corpo, de Drouet, na Ponte do Abade, onde perde 200 homens, mas, a norte do Douro consegue opor-se com sucesso, durante todo o rude inverno de 1810-1811 às tentativa, de Claparéde para passar o Douro afim de recolher provisões no rico Entre-Douro-e-Minho para o faminto exército de Massena.
Em 1813, durante a Campanha do Sul da França, Silveira assume o comando da divisão do General Hamilton, a qual tem uma acção importante no ataque a Tormes a 25 de Maio.
A 21 de Junho, na batalha de Vitória (60 000 franceses contra 80000 aliados) a Divisão Silveira (única Divisão portuguesa na batalha), envolvendo a esquerda do inimigo caiu-lhe sobre a retaguarda pondo-o em fuga desordenada e capturando parte da sua Artilharia, bagagens e o célebre tesouro do Rei José Bonaparte.
O General Francisco Silveira foi condecorado pelo Governo Inglês com a Medalha de Ouro de Comando em Vitória, de que apenas foram cunhados três exemplares, cabendo um deles ao próprio Wellington, e pelo Rei de Espanha foi-lhe concedido o título de Grande de Espanha e a comenda da Grão Cruz da Ordem de São Fernando.
O Rei D. João VI atribuiu- -lhe a Grão-Cruz das Ordens de Cristo e da Torre e Espada e ainda o título de Grande de Portugal, antes de falecer a 28 de Maio de 1821 na sua casa em Vila Real de Trás-os-Montes.
Os seus restos mortais descansam em sepultura própria, na Capela do Espírito Santo da povoação de Canelas do Douro.
Aliás, foi em memória e homenagem a este General e a todos anónimos Portugueses que, numa Pátria invadida, moribunda e arruinada, não desistiram e souberam lutar, que o general Carlos Azeredo dedicou o seu livro “As populações a norte do Douro e os Franceses em 1808 e 1809”, editado em 1984 pelo Museu Militar do Porto e constituiu importante apoio na elaboração de algumas das partes desta série de trabalhos.



Uma humilhação
maior que derrota
no Vimeiro

Na última crónica, dávamos conta dos factos que aconteceram a 16 de Maio de 1809, quando após vários assaltos frustrados que se prolongaram ao longo do dia, as tropas de Soult conquistam a passagem do Saltadouro e desalojam das posições mais próximas os cam- poneses, com algumas dezenas de mortos que os zagalotes certeiros dos populares causaram.
Adolfo Tiers, um militar francês, descreve esta fuga a terminar a invasão do Minho como mais humilhante que a batalha do Vimeiro: esta "custou menos à glória do exército e ao seu efectivo que a surpresa do Porto, destruição da nossa artilharia em Penafiel e esta marcha precipitada através desfiladeiros da província de Trás-os-Montes" (cf. As populações a norte do Douro e os Franceses em 1808 e 1809”, Porto, 1984, Museu Militar).
Todavia, a situação dramática vivida entre Saltadouro e Misarela podia ter sido uma catástrofe se a noite não acalmasse os ataques dos minhotos.
"Houve desordens e os papéis e bagagens salvas em Penafiel, perderam-se nesta passagem...
Dois esquadrões de cavalaria ligeira e uma brigada da 1.ª divisão saindo de Salamonde para descerem à Ponte (do Saltadouro), foram atacados por oito ou dez mil homens de infantaria, com artilharia, que tinham chegado em duas colunas, pela estrada de Braga e pela de Basto, desde Cavez.
A dificuldade em formar e a obscuridade deram lugar a algumas desordens; uns trinta cavaleiros caíram com os seus cavalos no precipício, sem que os pudessem salvar» — escreve um dos militares que conseguiu salvar-se.
"Infantes e cavaleiros precipitavam-se uns sobre os outros, atiravam fora as suas armas e lutavam para conseguir correr mais depressa.
A ponte estreita e sem parapeitos não podia satisfazer a impaciência dos fugitivos, que se empurravam de tal modo que um grande número de homens foram precipitados e afogados na torrente, ou esmagados sob as patas dos cavalos.
Se os Ingleses estivessem em estado de aproveitar este terror, não sei em verdade o que nos teria acontecido, de tal modo o medo é contagioso mesmo entre os mais bravos soldados».
Mas a noite veio pôr fim a este verdadeiro holocausto, e as restantes tropas do II Corpo puderam, mais acalmadas, continuar durante toda a noite a passar a fatídica Ponte da Misarela, porque o general Silveira e Wellesley suspenderam a perseguição.

A dimensão do terror

Quando na manhã seguinte os perseguidores de Soult se aproximaram da Misarela, encontraram um espectáculo que lhes deu a dimensão do terror e da tragédia por que tinham passado os franceses:
Lord Munster descreve assim o que viu no leito do Rabagão: "Homens o cava-los, animais decepados e bagagens, tinham sido despenhados no rio e juncavam literalmente o seu curso.
Aqui, nesta fatal companhia de morte e angústia, foi vomitado o resto do saque do Porto.
Toda a espécie de bons e de valores foram abandonados na estrada, enquanto mais de 300 cavalos boiavam na água e mulas ainda carregadas com bagagens foram içadas pelos granadeiros e pelas companhias ligeiras Guarda; estes desembaraçados e bons rapazes descobriram que pescar caixas e corpos da corrente poderia proporcionar-lhes moedas de prata, e boina ou cintos cheios de moedas de ouro, e, entre cenas de morte e desolação, subiam os seus gritos da mais ruidosa alegria».

Soldados esfarrapados mas saqueadores

A última tropa de Soult a passar a Ponte da Misarela e a deixar aquele cenário de morte e horror, foi a brigada Reynaud, entre as dez e a meia-noite de 16 para 17; na tarde de 16 o Marechal Soult já estava em Paradela, onde estabelecera o seu quartel-general.
O general inglês Wellesley desistiu de apanhar o II Corpo com a infantaria britânica em Ruivães e mandou apenas em perseguição a divisão Silveira porque a Ponte de Misarela era imprópria para os cavaleiros.
Os franceses tinham passado e foi apenas na manhã do dia 17 que o General Silveira os seguiu no caminho de Montalegre. Soult, partindo de Paradela a 17 para norte, foi saqueando e destruindo as pequenas povoações que encontrou a caminho da fronteira pela linha de alturas do Gerês que divide as águas do Cávado e do Rabagão.
Era uma zona pobre mas mesmo assim foram assaltadas e destruídas as povoações de Covelo do Gerez, Paradela, Loivos, Fiães do Rio, Vilaça, Coutim, Cambezes e Montalegre, cujos habitantes refugiados na serra, não deixaram de perseguir e atacar os franceses.
O ódio aos franceses era tanto que, anos depois, alguns habitantes daquelas localidades usavam nas suas camisas botões feitos de osso de franceses, onde gravaram a palavra LADRÃO!
Chegado ao desfiladeiro de Cortiços, Soult reconhece a estrada de Verim, quando as forças de Silveira levavam um dia de atraso.
Os pouco mais de quinze mil homens que Soult salvou da sua invasão a Portugal com 2000 cavalos (dos 4700 iniciais) atingem Guinzo onde pernoitam no dia 18 de Maio de 1809, exaustos, famintos, rotos e descalços em Orense.
Era um exército de soldados esfarrapados, descalços, sem artilharia e com o moral abatido, após oito dias, alimentados milho assado. "Muitos ficaram pelo caminho com a certeza de serem assassinados, mas não podendo mais andar não escutavam qualquer súplica para que continuassem" — escreve um oficial de cavalaria francês citado por Carlos Azeredo.


De Lanhoso a Misarela:
uma verdadeira epopeia!

Fugindo para Espanha, acompanhamos a marcha, entre a Póvoa de Lanhoso até Salamonde (Vieira do Minho), com Loison a comandar a vanguarda e Soult na rectaguarda, preparado para enfrentar Wellesley, que estava em Braga, vindo do Porto. Desde o vale do rio Ave as populações, conduzidas pelos clérigos e elementos preponderantes das localidades, atacavam sem descanso a tropa francesa, a quem o mau tempo e os péssimos ca-minhos dificultavam a marcha tornando-a numa autêntica via sacra para os gauleses.
A marcha prosseguia, em condições duríssimas, na noite de 14 de Maio foi atingido o vale do Cávado a norte de Póvoa de Lanhoso.
Como descreve o general Carlos Azeredo, na obra citada na crónica anterior, o ambiente nas hostes francesas, desde a ribeira do Lanhoso até abaixo de São João de Rei, "era a fome generalizada, os pés descalços e em ferida dos seus homens, os uniformes rotos e sujos, uma chuva inclemente e um inimigo a morder-lhe nos calcanhares". Aqui chegado, Soult tenta uma saída pelo Alto Minho, mas as tropas inglesas já estavam em Braga, a tapar-lhe o caminho, menos sinuoso que as montanhas do Barroso.

A ÚNICA SAÍDA: MISARELA

Só restava ao Duque da Dalmácia lançar-se na direcção de Salamonde através das íngremes vertentes da Serra da Cabreira sobre o rio Cavado.
Silveira parte para Ruivães no dia 15 de Maio, para cortar a passagem aos franceses para Chaves. Soult atinge ao fim do dia a região de São João de Rei, junto ao Cávado, sobre a estrada para Salamonde reforçando o seu avanço. Beresford teve a possibilidade de ter cortado em Salamonde a passagem se em vez de se ter limitado a enviar com uma pequena escolta dois Oficiais, desde Cavez (Cabeceiras de Basto) tivesse avançado uma companhia que fosse, capaz de guardar qualquer das difíceis passagens por onde Soult tinha de se aventurar, orientando a defesa das pontes do Saltadouro, de Rês e da Mi-sarela, a fim de demorar ali os franceses até que o grosso das suas forças e as de Wellesley pudessem cair-lhe em cima.
Quem acabou por impor a Soult um novo itinerário e barrar a progressão do II Corpo para Chaves foi o General Silveira, posicionado em Ruivães sobre a estrada para Chaves. O diário de Soult — citado por Carlos Azeredo — explica a opção por Montalegre: «eu não podia, também, retomar a direcção de Chaves, o caminho pelo qual tínhamos vindo aquando da minha entrada em Portugal. Na sequência do abandono de Amarante, Silveira pôde marchar para o norte tão rapidamente como os ingleses. Ele tinha ultrapassado Chaves e cortado a ponte de Ruivães, sobre a qual passa a estrada de Braga.
O General português, instalado à retaguarda dessa ponte, ocupava uma posição impossível de forçar».
No dia 15 de madrugada, Soult e as suas tropas deixam S. João de Rei, depois de pilharem e incendiarem vários povoados chegando a Sala-monde ao fim do dia.
Salamonde estava deserta, porque os habitantes preferiram o gelo da Serra da Cabreira às atrocidades dos soldados franceses.
Soult acantonou tropas na Igreja e nas casas que após o normal saque, foram incendiadas.

O dilema de Salamonde

Naquele tempo, a estrada, a partir de Salamonde, bifurcava-se, seguindo a via da direita para Ruivães, Venda Nova e Boticas, até Chaves, bem conhecida mas tapada pelas tropas do General Silveira. A "estrada" da esquerda, era uma autêntica vereda áspera que descia de Salamonde, em zig-zagues, a íngreme vertente do Cavado e depois a do rio de Ruivães, até à Ponte do Saltadouro; seguia depois junto à margem esquerda do Cávado para passar a impressionante e tormentosa Ponte da Misarela, insubstituível na chegada a Paradela e Montalegre, já na fronteira.
Soult preparava os seus milhares de homens para uma fuga heróica, digna de um filme épico, com todos os ingredientes — temos de reconhecer, a avaliar pela descrição que o marechal francês faz, pormenorizadamente.
Os dias 16 e 17 de Maio foram vividos intensa e tragicamente por milhares de homens sob o comando de Soult. Veja-se a descrição de um combatente francês: «Tinha- se à rectaguarda um excelente regimento de infantaria ligeira (o 4.º de Infantaria Ligeira, um dos melhores do Exército Francês, segundo Oman), o qual, dada a natureza do terreno, poderia facilmente conter um exército inteiro: pois bem, à vista do inimigo debandou sem que o pudessem convencer a ficar.
A confusão que resultou deste pânico estarrecido foi espantosa. Infantes e cavaleiros precipitavam-se uns sobre os outros, atiravam fora as suas armas e lutavam para conseguir correr mais depressa.
A ponte estreita e sem parapeitos não podia satisfazer a impaciência dos fugitivos, que se empurravam de tal modo que um grande número de homens foram precipitados e afogados na torrente, ou esmagados sob as patas dos cavalos.
Se os Ingleses estivessem em estado de aproveitar este terror, não sei em verdade o que nos teria acontecido, de tal modo o medo é contagioso mesmo entre os mais bravos soldados».
Mas a sombra misericordiosa da noite veio pôr fim a este verdadeiro holocausto, e as restantes tropas do II Corpo puderam, mais acalmadas, continuar durante toda a noite a passar a fatídica Ponte da Misarela; Silveira e Wellesley suspenderam as operações de perseguição e ataque retaguarda de Soult.
Na manhã seguinte os perseguidores de Soult, encontraram um espectáculo que lhes deu a dimensão do terror e da tragédia por que tinham passado os franceses:
"Homens e cavalos, animais decepados e bagagens, tinham sido despenhados no rio e juncavam literalmente o seu curso. Aqui, nesta fatal companhia de morte e angústia, foi vomitado o resto do saque do Porto.”
Continua

EDITORIAL

Armindo Veloso




Viagens na Minha Terra

Obrigado, grande Almeida Garrett, por me teres emprestado o titulo.
As nossas aldeias estão cada vez mais bonitas.
Não será necessário recuar, mais uma vez, aos anos sessenta para verificar a evolução fabulosa que as aldeias do nosso concelho, da maior à mais pequena, tiveram.
A casa “tipo maison” deu lugar a prédios novos com gosto ou, melhor ainda, as recuperações de casas abandonadas durante décadas tornam-se restauros maravilhosos.
Longe vão os tempos das cores berrantes e materiais de gosto duvidoso serem a regra na nossa terra.
Há, no entanto, algumas modernices que me chocam sobremaneira. A colocação de placas toponímicas é uma delas. Não sei se a lei o obriga, já me disseram que sim, mas, se assim não é, acho um disparate de todo o tamanho deitar por terra os históricos lugares — alguns deles com duas ou três casas onde toda a gente se conhece — e colocar nesse mesmo lugar um emaranhado de placas, chegando ao cúmulo de estarem três num espaço de meia duzia de metros com nomes de notáveis de cada uma das freguesias.
Nem se dignifica o ambiente nem os notáveis...
Pior ainda, fontes com garantia absoluta contaram-me que andam a espalhar herbicida nos muros das nossas estradas.
Não tenho nada contra os herbicidas e sei, por experiência própria, que dão bem jeito para controlar ervas daninhas, silvas e outras espécies infestantes. Agora, deitar herbicidas em muros que nos meses de primavera são pinturas da natureza com variadíssimas espécies de plantas e flores, por amor de Deus! Para além de sabermos que as plantas benignas que nascem nos muros só ajudam a conservar a sua solidez.
Das duas uma, ou temos os muros todos com juntas de cimento, ó disparate, ou temos o borrifo de herbicida a pôr tudo careca.
Já tinha reparado que há por aí uma fobia do tudo rapado. Rapem lá o que quiserem, mas deixem as ervas e as flores darem cor às nossas estradas.
A vida é tão cinzenta...

Até um dia destes.
CASTELO

AADVDB

A Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga continua a sua longa caminhada em prol do bem, conseguindo cativar a atenção de muitas instituições para apoiar o seu dia-a-dia. Depois de inúmeras presenças como o FC Porto, Domingos Silva conseguiu levar uma comitiva do Vitória de Guimarães à AADVDB. No dia 24 de Maio, aquando do jogo Vitória - Académica, a Associação vai realizar uma campanha de angariação de fundos. O compromisso foi assumido pelo presidente do Vitória, Emílio Macedo, que se mostrou disponível para realizar outras iniciativas de apoio à causa defendida pela instituição. Parabéns a todos os intervenientes.
CASTELO DE AREIA
S.C. Maria da Fonte

O Sport Clube Maria da Fonte continua a sua luta desigual pela manutenção na II Divisão Nacional. O arranque assente na boanova de não militar na III Nacional foi uma boa notícia que se poderá tornar um pesadelo no final da época. Dinis Rodrigues e os seus pupilos não têm mostrado capacidade para fazer face aos adversários directos que têm outros orçamentos e outra estrutura. O mais certo é a descida. E isso é mau? Na minha opinião não. Talvez as condições do SCMF sejam para uma 'terceira', ao nível de clubes como o Vieira, Merelinense, Joane, Serzedelo, Amares ou Vilaverdense.

Parque do Pontido, Av.25 de Abril e piscinas...

Dia da Liberdade com desporto

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso preparou um conjunto de actividades desportivas para assinalar a passagem do aniversário da Revolução de Abril.
O Parque do Pontido, a Avenida 25 de Abril e as Piscinas Municipais foram os locais que receberam as várias actividades desportivas.
“25 de Abril – Desporto e Liberdade” foi o tema deste ano, de onde se destacaram as modalidades como o futebol, futsal, street basket, andebol, torneio da malha, cordas e hidroginástica, esta última na vertente aula e workshop. Como novidade, as comemorações deste ano contaram com actividades como o spinning, pump, jump e step.
Num momento mais solene, os Paços do Concelho receberam, a cerimónia oficial do Hastear da Bandeira, com vista a assinalar o Dia da Liberdade.

PÓVOA DE LANHOSO

Deficientes visuais receberam 
visita do Vitória de Guimarães

A visita de uma comitiva do Vitória de Guimarães à Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga (AADVDB), localizada na P. Lanhoso, na tarde de quinta-feira, dia 16 de Abril, já produziu resultados.
No dia 24 de Maio, aquando do jogo Vitória – Académica, a Associação vai realizar uma campanha de angariação de fundos. O compromisso foi assumido pelo presidente do Vitória, Emílio Macedo, que se mostrou disponível para realizar outras iniciativas de apoio à causa defendida pela instituição. Para além de Emílio Macedo, estiveram presentes o vice-presidente Paulo Pereira, assim como o treinador Manuel Cajuda, Neno e os jogadores Santana, Sereno e Alberto. Para além de conhecerem as instalações, a comitiva ficou a conhecer o trabalho realizado pelos vários técnicos com os deficientes visuais, nomeadamente na área do desporto, novas tecnologias e trabalhos manuais. No final do encontro, Emílio Macedo mostrou-se sensibilizado com o trabalho desenvolvido e disponível para ajudar a instituição. 
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Nova estação em S. Martinho permite mudança

ETAR da vila foi desactivada


A entrada em funcionamento da ETAR – Estação de Tratamento de Águas Residuais localizada em S. Martinho do Campo permitiu a destivação da ETAR localizada na vila da Póvoa de Lanhoso, resolvendo-se, dessa forma, problemas de maus cheiros e de contaminação dos cursos de água existentes nas proximidades, como a Ribeira de Galegos, que desagua na Ribeira da Póvoa, afluentes do Rio Ave. Segundo a autarquia, o saneamento está agora ligado ao emissário do Ave, com tratamento na ETAR de Nasceiros, em S. Martinho do Campo. “Para além daquela, também está a ser desactivada a estação elevatória dos Moinhos Novos, na vila, o que contribui, da mesma forma, para a qualidade dos cursos de água, passando a ser feita uma ligação gravítica ao emissário da Ribeira da Póvoa”, revela a Câmara Municipal.
Em breve e de seguida, será desactivada a estação elevatória de Lanhoso, com ligação à Ribeira de Galegos. A este propósito, de referir que a Quinta do Minho já se encontra ligada a este emissário em virtude de um protocolo assinado entre aquela entidade e a Águas do Ave.
Recorde-se que a ETAR de Nasceiros serve toda a bacia do Ave deste concelho, já estando ligadas as freguesias de Galegos, Lanhoso, Calvos e Póvoa de Lanhoso. Em breve, também estarão ligadas à ETAR de Nasceiros as freguesias de Fontarcada, Taíde, Garfe, Vilela, S. Martinho do Campo e Santo Emilião. Esta ETAR ainda abrange freguesias dos municípios de Fafe (Agrela e Serafão) e de Guimarães (Gondomar).
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Monsul

Caminho de Pousadela concluído
Depois da pavimentação da estrada MonsulVerim, a intervenção no caminho de Pousadela, na freguesia de Monsul, assume-se como uma das grandes obras do mandato de Bernardo Silva. A intervenção, cujo custo rondou os 170 mil euros, contemplou o alargamento, construção de muros, condução das águas pluviais e pavimentação em betuminoso. Num trajecto de cerca de 1 km, a intervenção naquele caminho vem pôr fim aos transtornos vividos por quem ali passava todos os dias. Conversando com um morador naquele lugar, o mesmo mostrou-se deveras satisfeito com a obra, referindo que já há muito que era necessária, uma vez que se trata de um local com muitos habitantes e de uma estrada com bastante movimento.

Neuve- Maisons – França


Povoenses com Festa 
a N. Sra. de Fátima
A comunidade povoense radicada em Neuves-Maisons, em França, realiza a 24 de Maio, uma festa em honra de Nossa Senhora de Fátima. Do programa elaborado consta pelas 10h30, uma Missa Solene na Igreja de Neuves-Maisons, à qual se segue a procissão em honra de Nossa Senhora de Fátima.  Pelas 12h30 segue-se o almoço e, pelas 14 horas, a actuação do grupo povoense “Cantares da Nossa Aldeia” e da Ronda Típica de Vandoeure Lès Nancy

Verim


Obras na sede de Junta concluídas
Já terminaram as obras de ampliação e remodelação do edifício da Sede de Junta de Freguesia de Verim, numa obra da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso e Junta de Freguesia, que permitiram dar um aspecto ainda mais digno ao local. Para além de contribuir para o seu embelezamento, as obras, que incidiram no exterior e interior do edifício, permitiram a construção de uma garagem. O interior do edifício foi totalmente remodelado, ficando mais funcional, e o exterior foi totalmente pintado. O espaço envolvente foi também ele intervencionado, apenas faltando a colocação do jardim.

Sétimo aniversário

ISAVE apresentou novos projectos

No passado domingo, dia em que comemorou o 7.º aniversário, o ISAVE traçou o caminho a seguir, apresentando os projectos a desenvolver nos próximos tempos, vocacionados para a área oncológica e para a área empresarial.
“Hoje quero falar-vos principalmente deste presente que é já o futuro, o nosso futuro. Pensamos interpretar todos os sinais e manifestações deste tempo e sentimos claramente que temos que agir, cumprindo o sonho de construir um mundo melhor, servido por cidadãos mais conscientes, mais humanos, mais solidários e mais éticos”, disse José Manuel Henriques, presidente da instituição.
O Ceto – Centro de estudos e Tratamentos Oncológicos e o EATS – Escola Avançada de Tecnologia e Saúde, com pólos na Póvoa de Lanhoso e Lisboa, são os dois projectos a desenvolver pelo ISAVE, os quais deverão estar em pleno funcionamento já no próximo mês de Setembro.
A desenvolver num dos blocos do Campus Académico do ISAVE, o Ceto, integrado num sistema de Cuidados Holísticos de Saúde, irá estar vocacionado para a prestação de serviços no âmbito da Oncologia, dando resposta a uma das dificuldades sentida pela instituição, que se prende com as dificuldades em encontrar estágios para os alunos. “Temos consciência que podemos prestar um serviço de saúde de qualidade nesse âmbito, utilizando o conjunto de condições instaladas no instituto”, referiu José Manuel Henriques, que aponta a medicina de companhia como o futuro.
“Cada paciente tem permanentemente alguém com ele. Há aqui uma situação de ganho para todos os lados”, frisou o presidente.
“A EATS- Escola Avançada de Tecnologia e Saúde, é a materialização da estrutura de uma escola de pós-graduação avançada, com a área da saúde a funcionar na Póvoa de Lanhoso e a das tecnologias a ficar em Lisboa”, disse ainda aquele responsável.
“É no fundo o ISAVE ter uma estrutura dirigida só para a formação pós-graduada, a formação avançada com as empresas. É uma forma de mais rapidamente ligarmos o mundo do trabalho aos nossos alunos e ao instituto”, disse.
No próximo mês de Setembro entram em funcionamentos os novos projectos, dando continuidade ao processo de mudança e consolidação encetado por aquela instituição de ensino.

Homenagem 
a Monsenhor Eduardo Melo Peixoto

As comemorações do sétimo aniversário do ISAVE ficaram marcadas por uma cerimónia de homenagem ao Monsenhor Eduardo Melo Peixoto, no dia em que se celebrava o 1.º aniversário do seu falecimento.
(...)

'Lanyoso' Dia Int, dos Monumentos e Sítios

Câmara apresentou revista

A Torre de Menagem do Castelo de Lanhoso foi o local escolhido para a apresentação do segundo número da revista “Lanyoso”, a revista cultural da Póvoa de Lanhoso, numa iniciativa da Câmara Municipal, que pretendeu assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
Via Romana XVII, Quinta da Torre da Mota, textos sobre Monsul, e Castelo de Paixões são os temas retratados no segundo número da revista cultural.
A apresentação decorreu pelas 17 horas, de sábado, dia 18 de Abril, numa cerimónia que contou com a presença de alguns dos autores dos textos que integram a revista.
Rui Pedro Barbosa, Paulo Pereira Leite e Moncho Rodriguez foram os autores presentes.
“Pretende ser uma referência da dinâmica cultural aqui na Póvoa de Lanhoso”, referiu a vereadora da Cultura, Fátima Moreira referindo-se à revista “Lanyoso”, que tem assumido um carácter bienal.
(...)

Grupo Desportivo de Porto d’Ave

Uma fábrica de sentimentos

O mundo parece ter sido pintado num quadro de xadrez, num tabuleiro de magia. Em Taíde há uma paixão com paladar, com raízes até à Suiça numa corrente inebriante.
Fundado em 1978, o Grupo Desportivo de Porto d’Ave vive o seu momento mais intenso, mais elevado. De uma equipa que funcionava por impulsos, tornou- se numa janela para o mundo em trinta anos. Crescimento sustentado, aliado a um forte ligação ao coração, ao sentimen-to das suas gentes, numa organização forte, estruturada e com asas para o futuro. Em Taíde já uma missão: a paixão foi descoberta e chama-se Porto d’Ave. Olhar para dentro, observar o exterior foi o passo seguinte na formatação de uma casta com selo de qualidade. Nada é artificial, mas tudo tem vida própria. Até a imensidão que envolve o seu Parque de Jogos serve para dar largas à fantasia, ao crescimento.
Quem conhece o clube, toda a sua envolvência, toda a sua intimidade, sabe e nota que há uma visão, um caminho pensado e elaborado. Sabem qual é o trilho a seguir, sabem como fazê-lo e apenas o tempo vai ser conselheiro e justiceiro da verdade. Passo a passo, degrau a degrau, como se o mundo fosse pintado numa camisola de xadrez, num tabuleiro que não está liberto de si próprio, do peso da história, da força da cultura e, até, de uma educação própria.
O saber, o ver, o sentir, o tocar e até o inalar Porto d’Ave. Tem raízes até à Suiça e nenhum dos sentidos pode ficar indiferente.
Neste processo de crescimento a criação do cargo de director de comunicação foi tido como peça importante, para o Porto d’Ave abrir os braços, para poder espalhar o seu paladar com mais intensidade. Ricardo Pedro Pereira, é do mesmo sangue do presidente, tem a visão comunicadora e justifica a necessidade com o facto de “a Póvoa de Lanhoso estar tão perto e tão longe dos grandes centros urbanos”, facto que “limita a acção do clube em vários aspectos”, sendo um deles “a visibilidade exterior”.
Assume-se como um “portodavense de gema” e como tal “não podia recusar tal convite, tamanha missão”. Seja calor, seja frio o Porto d’Ave provoca arrepios. Mexe e agita com as emoções de uma comunidade que vive intensamente o clube.
Viver o Porto d’Ave parece, por vezes, respirar música, ouvir perfumes ou até dormir nas estrelas. Nas veias das suas gentes corre uma corrente inebriante, um som íntimo, uma paixão com paladar. É dançar nos sentidos, viver uma organização assente em 30 mil metros de histórias e de memórias, envolvida numa paisagem contagiante, a céu aberto, onde o horizonte se perde nas doçuras da natureza.
As montanhas em seu redor, podiam até ser a própria Suíça, onde existe uma casa do clube, que um dia esteve para ser filial do Boavista.
É ligar o presente com o futuro, com uma missão enraizada.
O que vai ser nos próximos trinta anos será a vontade dos deuses a designar, mas a simbiose dos trinta passados faz erguer o queixo desta fábrica de sentimentos.

João Fernando, treinador: “Estão reunidos os ingredientes para ser um clube da moda num futuro próximo”

O rigor tem sido linha de comando. João Fernando é tido como um pilar na estrutura. Sente orgulho pelo passado que tem, assume-se como um homem feliz e vê
o Porto d’Ave apetecível.
Já com vínculo até ao final de 2010, João Fernando lança as bases para a próxima temporada. Assume que gosta do Porto d’ Ave, mas a sua ambição obriga a manter o horizonte no limite máximo e como tal quer ver um clube “diferente ano após ano” e para esta temporada não pretende assistir a mais derrotas e traça um lugar de destaque na pauta classificativa como marca no projecto. João Fernando não tem dúvidas que no futuro o Porto d’Ave vai ser um clube da moda.
Reparte os louros com a restante equipa técnica, reserva também uma palavra de carinho para as camadas jovens e pretende um clube cada vez mais ganhador. Os seus sentidos acreditam que as asas do Porto d’Ave no futuro vão ser douradas. “O Porto d’Ave vai ser um dos clubes mais apetecíveis da Associação de Futebol de Braga. Há condições para isso. É um clube sério, liderado por gente competente, humilde e tenho a certeza que quando o Porto d’Ave tiver um campo sintético não vão faltar jogadores para representar este clube. É um clube que sabe o quer, sabe para onde caminha e isso é muito importante. Há dinâmica de vitória e queremos que esses valores continuem a ser assim”.
(...)

CAMADAS JOVENS
No berço com vontade de vencer


João Fernando começou o seu trajecto na formação do Vitória de Guimarães. Sabe o que custa, conhece os cenários e como tal, com orgulho, partilha três vezes por semana o campo de
jogos, como os mais novos, aqueles que vão figurar na vitrine no futuro.
As camadas jovens no Porto d’Ave foram vistas em tempos antigos como um porto de abrigo para ocupar os mais novos numa actividade de lazer, tem agora outro discurso. Há rigor, há sede de conquista e no berço começa-se a falar logo em vitórias. “Ninguém gosta de um clube perdedor e, para integrarem no futuro a equipa sénior, é preciso construírem uma mentalidade for-te no presente”, destaca João Fernando.
O Porto d’Ave tem todos os escalões de camadas jovens e todos estão em classificações de destaque. Uns mais do que outros, mas também isso é fruto das fornadas. Há uma certeza, que nenhuma das equipas ocupa as zonas baixas da tabela e, como tal, esses construtores do futuro, estão bem lançados para um dia entrarem pela porta principal, para fazerem parte da casta de elite.
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Parque Desportivo de Porto d’Ave

Motocross animou Taíde

Foram 44 os pilotos que marcaram presença, na tarde de segunda-feira, dia 13 de Abril, na prova de moto rally cross, organizada pelo Grupo Desportivo de Porto d’Ave. Apesar da chuva, aquando do início da prova, foram muitos os que se deslocaram ao Parque Desportivo de Porto d’Ave, na freguesia de Taíde, para acompanhar o andamento dos pilotos. Numa prova a contar para o Troféu Norte Moto/Quad’s 2009, do Clube Amigos de Xalon, os pilotos arrebataram grandes aplausos do público presente, num traçado construído em volta do recinto de jogo e do qual fazia parte vários saltos, para deleite dos aficionados do desporto motorizado.
A prova disputou-se nas classes juniores e moto 4, promoção e elite, contando ainda com a presença, extra-campeonato, de vários pilotos que disputam a classe motocross elite. Em cada uma das classes foram realizadas duas mangas de apuramento. Na categoria juniores, que contou com a presença de oito pilotos, Álvaro Gonçalves foi o vencedor, com António Veiga, Filipa Leite e Pedro Bastos, a ocupar o 2.º, 3.º e 4.º lugar, respectivamente.
(...)

Maria da Fonte

Manutenção comprometida

A derrota do Maria da Fonte frente à formação do Ribeirão poderá ter comprometido as aspirações da equipa da Póvoa de Lanhoso em permanecer na II Divisão Nacional. Quando apenas faltam disputar três jogos para o final da competição, o Maria da Fonte mantém-se na 4.ª posição, com 18 pontos, a 4 pontos do 3.º classificado, a formação do Ribeira Brava.
Nos próximos três jogos o Maria da Fonte desloca-se ao terreno do Caniçal, recebendo, na jornada seguinte, o Ribeira Brava, com o último jogo a ser disputado no campo do Vianense.
No terreno do Ribeirão, desde cedo que o Maria da Fonte ficou em desvantagem, com a equipa da casa a inaugurar o marcador quando apenas estavam decorridos 6 minutos de jogo, por intermédio de Bacarai que, de cabeça, abriu o activo.
(...)

Casos de polícia

GNR apreendeu armas e munições

Três armas e centenas de munições foram apreendidas, na tarde de segunda-feira dia 20, pelos militares do Posto da GNR da Póvoa de Lanhoso, no âmbito de uma busca domiciliária no concelho da Póvoa de Lanhoso.
O mandado de busca, realizado no âmbito de um processo de investigação que decorre no Posto da GNR da Póvoa de Lanhoso, incidiu numa habitação localizada numa freguesia do concelho.
Dada a ausência do visado, que se encontra emigrado, a referida busca foi acompanhada pela esposa. O início ocorreu pelas 14h30 e duas horas depois as buscas foram dadas por terminadas. No cumprimento do mandado, os militares da Póvoa de Lanhoso apreenderam 1 shot gun, 2 espingardas de ar comprimido, 1 pistola de recreio, cerca de 90 cartuchos e mais de 400 munições de diversos calibres. O material apreendido será entregue no Tribunal Judicial da Comarca da Póvoa de Lanhoso.

GNR recupera viatura 
e identifica três jovens

Uma viatura furtada na vila da Póvoa de Lanhoso foi recuperada e três jovens foram identificados, na madrugada de sexta-feira, dia 17 de Abril, pelos militares do posto da GNR local.
A patrulha da GNR suspeitou de uma viatura que circulava, perto das seis horas da madrugada, nas ruas da Póvoa de Lanhoso, e no interior da qual se encontravam três pessoas. Apercebendo-se da presença dos militares, a viatura pôs-se em fuga em direcção às Caldas das Taipas. Depois de várias diligências, a referida viatura, um Volkswagen Golf, veio a ser encontrada abandonada na freguesia de Vilela. Nas imediações encontravam-se três jovens, que foram conduzidos ao Posto da GNR da Póvoa de Lanhoso. A hora tardia e o facto de não terem justificação quanto à razão porque se encontravam naquele local levou os militares a procederem à identificação dos três jovens, dois rapazes e uma rapariga, residentes no concelho de Guimarães, com idades entre os 16 e 19 anos.
A viatura apreendida, que apresentava pequenos danos, tinha sido furtada, naquela madrugada, na Póvoa de Lanhoso, tendo os assaltantes utilizado uma gazua para concretizar o furto.
Um dos jovens identificados está referenciado pelas autoridades pela prática de diversos crimes, nomeadamente furtos em viaturas, alguns deles ocorridos na Póvoa de Lanhoso.Segundo apuramos, dois dos jovens deslocaram-se até à Póvoa de Lanhoso utilizando uma scotter, não se sabendo de que forma o terceiro elemento chegou até à vila povoense.
Uma equipa de investigação criminal recolheu indícios na viatura, tendo a mesma sido, poste- riormente, entregue ao seu proprietário. Até ao momento não foi possível apurar se a referida viatura esteve envolvida em algum assalto.

NIC apreendeu armas

Numa busca domiciliária a uma habitação no concelho da Póvoa de Lanhoso, o Núcleo de Investigação Criminal (NIC) do Destacamento Territorial (DTER) da GNR apreendeu armas e outro material de defesa. A busca, realizada no cumprimento de um mandado judicial permitiu a apreensão de uma carabina, uma pistola adaptada a 6.35 e diversas munições.
No decurso da operação, realizada no dia 15 de Abril, foi constituído arguido um individuo, de 55 anos, por posse ilegal de armas.
Nesta diligência estiveram envolvidos militares do NIC, do Posto Territorial da Póvoa de Lanhoso e um binómio da Equipa de Inactivação de Engenhos Explosivos do Comando Territorial de Braga da GNR.

Santo Emilião: talho assaltado à mão armada

Cerca de 1500 euros e vários cheques foi o produto de um roubo, à mão armada, a um talho localiza- do na freguesia de S. Martinho do Campo, no passado dia 9 de Abril.
Segundo apuramos, o indivíduo, que actuou sozinho e de cara destapada, dirigiu-se ao funcionário solicitando um anho. Posto isso, terá alegadamente ameaçado o funcionário e, já na posse do dinheiro, obrigou o empregado a entrar para um compartimento.
O alerta foi dado pelo empregado que, apesar de ter saído a correr do estabelecimento, não conseguiu avistar o indivíduo. A GNR da Póvoa de Lanhoso deslocou-se ao local, estando as investigações a decorrer sob alçada da Polícia Judiciária.

Armindo Veloso

ROUBO MAS FAÇO
Foi popular há alguns anos atrás uma célebre campanha política levada a cabo por um governador de um pequeno Estado do interior do Brasil. Pressionado por um candidato da oposição, forte, a sua campanha teve como assinatura “Roubo mas Faço”. O choque foi geral e esta campanha ainda hoje é lembrada em muitas reuniões de comunicação política. Sei que o facto de um candidato assumir que rouba poderia, e deveria, dar azo a outros desenvolvimentos em sede diferente. No entanto, para o caso, não entrarei por aí. O que me interessa é partilhar com os meus leitores  quão “sui generis” são as campanhas políticas e os eleitores tocados por elas. Não é que o homem ganhou novamente as eleições com aquele slogan?!... Só vejo um motivo para tal ter acontecido. O candidato fazia, de facto, obra. E, sendo assim, os eleitores até lhe premiaram a frontalidade. A nossa política e os nossos políticos, desde os da paróquia até aos nacionais, estudam e voltam a estudar mensagens que soam a oco por todo o lado. Se tomarmos como exemplo o “Yes, we can” — sim, nós podemos — , de Obama, chegamos facilmente à conclusão que é uma frase com muita força e que galvaniza todo um povo. Já algumas nossas que vemos por aqui e por aí, prometendo mudanças e verdades, ninguém vai na cantiga. Alguém acredita?... Ainda gostava de ver um político subir ao palanque, divulgar o seu programa e dizer, olhos nos olhos, aos eleitores que não quer os votos, no sentido de não fazer nada para os conseguir, de quem não estiver com o seu programa; não querer os votos de grupos que o condicionarão no futuro se o apoiarem; não querer os votos de algumas corjas que por aí há; não querer os votos dos que só olham para a sua rua; não querer os votos de quem só pense nos “nossos”. Ganhando as eleições dessa forma, ninguém o impediria de cumprir o seu programa. Dir-me-ão, ninguém ganharia assim as eleições. Não concordo. Provavelmente, seria a forma mais fácil de as ganhar. Os eleitores que, lembrem-se, são também pessoas com a cabecinha em cima dos ombros, estão fartos de frases inócuas e, muitas das vezes, de candidatos fantoches.
Até um dia destes.